Na Rua Butantã, em Pinheiros, havia uma loja de departamentos chamada "Três Leões”. Hoje, se não me engano, funciona no local uma agência do INSS. A citada rua se inicia junto á ponte do Rio Pinheiros, e vai até o Largo de Pinheiros. Na mesma, além da citada loja, havia o saudoso "Cine Goiás". Posteriormente, com a extinção da tal loja, foi instalada ali uma das lojas da famosa rede de lojas "Mesbla".
Mas o objeto aqui é a tal “Lojas Três Leões", onde meu pai sempre nos levava quando precisávamos comprar o quer que seja. Esta loja tinha uma popularidade em Pinheiros, nos anos 60, tal qual o Mappin possuía no centro. Primeiro era a Três Leões, depois o Jumbo Eletro, depois a Mesbla… E foi lá que meu pai, em fins de 1959, comprou nossa primeira TV, uma “General Eletric” de 20 polegadas, a qual, na época era objeto de status de admiração. Possuir TV era privilégio de poucos, e apesar de o meu pai ser um homem de recursos modestos, conseguiu, ao longo dos anos, guardar dinheiro para comprar a tal TV que, quando chegou a nossa casa, depois de 20 dias que meu pai a pagou, causou um alvoroço muito grande na nossa rua, que se chamava "Quitanduba", no simplório bairro do Caxingui, bairro que sempre recebe a minha apologia por aqui.
Senhores (as) quero aqui registrar as emoções vividas por ocasião da compra da TV, da expectativa da espera longo por demais, da chegada da TV, da aglomeração dos vizinhos no portão a constatar a chegada da mesma, e o primeiro desenho do "Pica Pau”
assistido nela.
Quando a TV chegou o meu pai estava ausente, ele trabalhava de madrugada. Mas, apreensivo para ver a reação do meu pai diante da TV, eu não consegui pegar no sono e tão logo ele colocou a chave na fechadura para abrir a porta, eu, moleque de 10 anos, fui à sala recepcioná-lo, e ao lado dele, em plena madrugada, ficamos a admirar aquela maravilha. O meu pai, a TV, as Lojas Três Leões, a Eletroradiobraz, A Rua Butantã, o bairro de Pinheiros… Quem é que consegue esquecer todos estes detalhes que ocorrem em nossas vidas não é mesmo?
Meu pai, graças a Deus, sempre nos amou e fez tudo por nós. E agora que se aproxima a data em que ele nasceu, estou aqui a lembrar de uma das dezenas provas de amor dele pela família.. Para se ter uma idéia, meu pai, o velho Chico Lemmi, leu "Os sertões" de Euclides da Cunha, várias vezes, sempre acompanhado de um dicionário ao lado. O "véio", como dizia o irmão dele, era jogo duro.
Parabéns Chico Lemmi, aquele que considerava a família uma coisa de Deus.
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