O carnaval nasceu ali na Liberdade, em 1857. Até então, o paulista só conhecia o tradicional entrudo com os golpes de laranjinha. Mas, nesse ano festivo, São Paulo rasgou a fantasia…
E na chácara que pertenceu naquela época ao comerciante Caetano Ferreira Balthar, situada entre as ruas Américo de Campos e Barão de Iguape, com entrada pela rua da Glória, reuniu-se o primeiro núcleo carnavalesco de São Paulo! Dali saíram pelas ruas, pela primeira vez, os "Zuavos", que constituíam um clube de barulho. Desse bando, faziam parte grande número de comerciantes abastados, funcionários públicos e grandes figurões, que se mascaravam e embalados pelos vapores da gengibra saiam pelas ruas escandalizando os moralistas da época. Estava lançada a primeira semente da folia. Porque até então, o povo não podia se mascarar em público. Mesmo nas comemorações mais festivas esse costume de se mascarar não tinha a aprovação dos poderes públicos. Constituiu-se mesmo um grande acontecimento, a licença que o Capitão-general Bernardo Jose Lorena concedeu com grande graça, por ocasião do nascimento da princesa da Beira.
Atendendo ao grande jubilo que deveria assaltar o ânimo popular, o então governador de São Paulo expediu ordens no sentido de ser permitido o uso de máscaras pela cidade. Só assim. Era preciso que nascesse uma princesa para que povo pudessem mascarar o rosto.
Desde 1857, quando os arrojados "Zuavos" desprezaram os preconceitos e saíram pelas ruas em grande alarido, exibindo as berrantes fantasias, o povo compreendeu. Estava implantado o Reinado de Momo.
Próximo da Liberdade, do outro lado do vale, mais de cem anos depois, o barulho continuava… na Brigadeiro, mais precisamente no Teatro Paramount. A fila para entrar estava no meio do quarteirão e eu já estava pulando porque podia escutar a orquestra tocando e a galera cantando…Mamãe eu quero, mamãe eu quero…mamãe eu quero mamar. Finalmente lá dentro, que alegria, que folia. O lança-perfume em latinhas douradas espirando no pescoço suado, pingando. Me beija..me amassa..não existe pecado do lado debaixo do Equador.