Nascido em 1948 no bairro de Santana, passei minha infância na Rua Duarte de Azevedo entre a Zuquim e Leite de Moraes.
Nesta rua tinha uma turma inesquecível, o Paulinho (turco) com sua irmã Georgete, Fernandinho, Davilson, os irmãos Cuca e Nenê com suas maravilhosas irmãs Sonia e Lurdinha, o Zé Carlos, que era paraplégico. Nós fazíamos corrida com ele sentado em sua cadeira de rodas. Tinha o Armando, Wanderley, Robertinho e a linda Joyce…
Enfim, éramos todos muito unidos. Mas, num determinado dia, quase fui linchado pela minha mãe…
Numa das famosas tardes brincava eu com meu famoso Jipe Bandeirante, daqueles de lata modelo do exército na Rua Duarte e resolvemos apostar corrida descendo pela calçada da Zuquim, alguns com patinetes, bicicletas e eu com meu famoso jipão.
Pois bem, num determinado momento, no meio do racha, perdi o controle do jipe e fui para o meio da Rua Zuquim, na contramão, e vinha subindo um ônibus da viação Nefer que ia para o Tucuruvi. E o motorista, vendo um moleque descendo a Zuquim na contramão com um jipinho, parou o coletivo na esquina da Duarte. Eu fui de encontro ao ônibus pela frente do bicho, só me lembro de ter baixado a cabeça e ficado entalado embaixo do ônibus.
Como toda a molecada gritava na hora, chamou atenção do povo que estava no local.
Pra que?! Foram na minha casa avisar minha mãe que eu tinha sido atropelado por um ônibus e estava debaixo dele…
Imaginem vocês o susto de minha pobre mãe, que apareceu apavorada, e já em prantos, mas até aí o Chafic (turco dono do armazém da esquina) já estava providenciando com o motorista do ônibus a minha retirada de debaixo do enorme coletivo.
Pois bem, saí debaixo ileso, mas quando minha mãe percebeu que eu tava bem… Me pegou pelo topete e começou a me dar o maior cacete…
O turco falava: "calma, dona, o menino tá bem, desse jeito a senhora mata ele!”, e ela gritava: "coloquei no mundo tenho o direito de tirar!".
Meu! Que cacete, fui apanhando até estar dentro de casa e fiquei uma semana sem sair…
Desta nunca mais esqueço, serviu de lição, pois nunca mais andei de jipe, muito menos na contramão…
Que belos tempos…
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