Lembranças de minha infância na Mooca – Travessuras

Lembro-me de algumas travessuras como: certo dia o Newton me convidou para comer pão de mel; fomos até o quarteirão de cima, do outro lado da rua na mercearia onde o papai fazia as compras e pagava quando recebia seu salário.<br><br>Fomos atendidos, se não me falha a memória, pelo seu Carlos ao qual nos identificamos como filhos do seu Matheus, prontamente nos atendeu.<br><br>Pedimos dois pães de mel para cada um e solicitamos para que ele marcasse na conta. Ainda me lembro da bronca que tomamos do papai quando ele pagou a conta e ordenou ao dono da mercearia que não vendesse qualquer coisa sem sua ordem.<br><br>Certo dia, sem qualquer objetivo, atirei uma pedra em direção à rua, que por azar atingiu o nariz de um carroceiro que descia a rua em disparada, em pé na sua carroça. O homem deu queixa na polícia e pouco depois bateram na porta de casa; era um policial acompanhado do carroceiro, com um lenço encharcado de sangue junto ao nariz, que apontava o dedo na minha direção e falava foi ele! Chorei muito e apavorado fiquei agarrado nas calças do meu avô que atendia o policial, que quando me viu encerrou o caso e retirou-se, pois eu só tinha quatro anos. O sermão do vovô foi muito bom e confortante, considerando que o guarda já tinha se retirado.<br><br>Em uma manhã de sol estávamos no campo da portuguesinha. Havia uma cerca de madeira pintada de verde e as pontas em formato de "V" ao contrário, em volta de todo o campo. Nesse dia o Newton cismou de pular a cerca ao invés de entrar pelo portãozinho e com a ajuda do nosso primo Claudio subiu na cerca do lado de fora, quando pulou para dentro seu calção ficou preso no bico da cerca que não aguentando o seu peso rasgou provocando a queda e a fratura no antebraço esquerdo. Até hoje existe a cicatriz da cirurgia com o formato de uma lagartixa.<br><br>Na viela ao lado da nossa casa havia um grande terreno que ia da Rua do Oratório até a Rua Cuiabá de largura e um quarteirão de cumprimento. Esse terreno era cercado por arame farpado que pelo passar dos anos afrouxou dos mourões que também ficaram podres, o que permitia o livre acesso. Esse terreno era do tamanho de um campo de futebol. No lado de cima no fim do campo havia um grande paredão lateral de uma fábrica e na folga dos empregados que trabalhavam nessa fábrica, após o almoço, eles faziam um grande racha (partida de futebol). <br><br>Muitas vezes quando a mamãe deixava, eu e o Newton adentrávamos esse local para assistirmos os jogos. Foi em um dia desses que durante uma discussão entre os jogadores, alguém de fora atirou uma pedra, que caprichosamente acertou na cabeça do Newton, bem na parte da frente um pouco acima da testa. Até hoje ele tem a marca dessa pedrada.<br><br>Continua…<br><br><br>E-mail: [email protected]