Lembranças da 25 de Março

Nasci há 42 anos na Rua 25 de Março, filho de baianos chegados à cidade no começo da década de 1950. A família morava no prédio Alice, Rua 25 de Março, nº 171. Um prédio antigo, talvez da década de 1930, com vários descendentes de imigrantes, principalmente árabes, ou mais exatamente sírio-libaneses. Hoje o prédio está decadente, mas sobrevive e bem poderia ser tombado.

Uma lembrança marcante daquela época é a praça Fernando Costa, no final da Rua General Carneiro, sem nenhuma barraquinha de camelô. Ali eu passava a tarde jogando bola, e a 25 de Março nem de longe tinha o movimento que tem hoje.

Via a chegada do asfalto na 25 de Março, por volta de 1969. A rua ficou fechada alguns dias, gerando curiosidade na criança que eu era.

Logo ali, passando sob a ponte da Avenida Rangel Pestana, já na Rua Frederico Alvarenga, ficava o Grupo de Escoteiros Parecis, onde fui lobinho por um ano. O clube ainda está lá, bem como a "cabulosa" escadaria que passa dentro dessa ponte, com o mesmo cheiro de urina de 40 anos atrás.

Outra coisa que não esqueço é de ver a primavera chegar a partir do jardim florido no Parque Dom Pedro. Mas isso logo acabou: no final da década de 1960, as obras do metrô na Sé/Clóvis obrigaram a transferência dos ônibus que faziam ponto inicial ali para o Parque Dom Pedro. Lembro de karts correndo nos corredores do terminal pouco antes de sua inauguração. Dali para a frente, nunca mais o parque Dom Pedro foi o mesmo. E somente muita vontade política o fará se assemelhar aos seus bons tempos. Depois eu conto mais.