Largo Ana Rosa

Sou nascido e criado na querida aclimação, moro em Campinas há treze anos. Quando era menino ia com a minha avó, uma vez por mês ao largo Ana Rosa, aonde ela ia as reuniões das associadas das oficinas de caridade de santa Rita de Cássia no convento de Jesus crucificado ( já demolido ), aonde ela costurava roupinhas e enxovais para mães carentes. O gostoso do programa ficava no lanche no final da tal reunião. Eram diversas iguarias que as associadas ou as freiras preparavam. Já na adolescência ia com outros garotos do bairro nas matines de domingo do cine cruzeiro com suas sessões duplas. No largo tinha três sorveterias. a minha favorita era a Casa Emilio, de uma família italiana onde todos eram muito gordos e faziam delicias. Minha avó sempre comprava pastieiras ou então doces napolitanos ( crispelli, canurilho etc ), o meu sorvete preferido chamava-se petsi duri ( não sei se é assim que se escreve ) era um mix de frutas secas ( nozes, avelãs, amendoas ) cujo sabor é inesquecível.
Lembro que na época de natal as arvores do largo eram enfeitadas com luzes coloridas e reforçava ainda mais um certo lado interiorano deste largo tão presente em minha memória.
Quando começaram a construir o metro e a estação, as árvores foram arrancadas, as sorveterias fechadas o cine cruzeiro virou supermercado tudo mudou e a lembrança ficou, agora resgatada neste breve relato. Quem conheceu o largo Ana rosa na década de sessenta, com certeza lembrara do que estou contando.

abraços, luiz