Lágrimas no estádio

O ano era 1951. Era uma tarde ensolarada de domingo, após uma suculenta macarronada preparada pela mãe de meu padrasto José fomos assistir a esse grande duelo que a critica da época dava toda cobertura. O Estádio do Pacaembu já lotado era o cenário para uma partida de futebol entre o meu Palmeiras e o temível Corinthians, gigantes do futebol paulista, encontro válido pelo Campeonato Paulista.

Eu, um garoto de oito anos incompletos, ficaria deslumbrado pela dimensão do local e a sua concha acústica, posteriormente demolida. Era eu um apaixonado pelo Palmeiras devido à influência de meu padrasto fanático. Minha saudosa mãe que pouco entendia desse esporte também aprendeu a amar esta equipe.

A partida então teve inicio com lances mirabolantes apresentados pelos craques. Era Gilmar, era Carbone, era o endiabrado Luizinho que passaria a bola no meio das pernas de Luiz Vila, era Fiume.

A partida estava bem disputada quando ocorreu um grande temporal. Ficamos todos molhados e mesmo assim ela continuou com o final feliz para as cores alvinegras por 2×1 e eu na minha inocência choraria copiosamente sendo amparado pela minha mãe.

A chuva, o temporal e as minhas lágrimas se igualaram naquela triste tarde, cabisbaixos então saímos do estádio para pegar o bonde que nos levaria ao nosso bairro que, por ironia do destino, era também verde… A Casa Verde. Ocorreram lágrimas esmeraldinas no vale.

No dia seguinte a caminho da escola, parando em uma banca de jornal um jornal me chamaria atenção. Era a Gazeta Esportiva que estampava a grande vitoria corintiana sobre o meu Palmeiras.

Em 1955 meu irmão veio de Santa Catarina para morar conosco, o José Hilário era corintiano. Não acredito… Não acredito.

Novas lágrimas, agora de raiva…

E-mail: [email protected]