Ladrão de galinha

Meu pai tinha um terreno de 15×30 em frente a onde morávamos na Rua Professor Vahia de Abreu, nº60 na Vila Olímpia, onde ele era carvoeiro (não havia fogão a gás na época). Ele possuía sua carvoaria e no espaço dava para criar pomba/cabrito/ovelha e também galinhas.
Um dia a tarde foi lá o Silveira (especialidade: roubar galinhas) e pediu para meu pai um copo de leite de cabra, pois sua mulher não estava bem, o que não foi negado. Mas meu pai, sabedor de quem se tratava, montou uma vigília à noite e ficaram atrás do muro de minha casa (meu pai, meu primo que morava ao lado, meu tio e padrinho Paulinho, que morava conosco, e meus irmãos mais velhos). Chegou o grande momento, 22h, vem o Silveira sorrateiro, "olha pra cá, olha pra lá" e pula o muro, chi…
Meu pai em bom português grita: "ladrão do meu dinheiro!", foi aquela correria atrás do Silveira, mas pegar ele foi difícil, o homem corria muito.
No dia seguinte meu pai tirou as galinhas do terreno e colocou no banheiro dos fundos de minha casa, não é que o Silveira ouviu o canto delas e foi lá buscar as bichinhas? Quando meu pai ouviu barulho no quintal, tirou seu Schimit alemão e deu dois tiros pela janela, Silveira sumiu, foi para o terreno baldio que havia ao lado da minha casa e despejou vários tijolos sobre nossa casa, o problema foi que ele deu muita força e os tijolos acabaram caindo na casa do meu primo que morava ao lado, no dia seguinte foi levantado o estrago.

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