Terça-feira, 26/02/2008. Ao entrar em São Paulo pela Via Anchieta, com o trânsito lentíssimo, pra variar, ouvia o jornal da Rádio Bandeirantes, onde o entrevistado era um político que já foi mais conhecido no passado, mas ainda está no poder. Trata-se de um grande pecuarista a quem já critiquei muito em épocas anteriores, mas que dessa vez – ao menos nas explanações que fez – demonstrou certa lucidez ao tratar o tema do embargo da União Européia à carne bovina brasileira.
Mas, para este texto, o que quero não é falar de temas econômicos, mas dos jornais falados, aqueles com cara de interior, e nenhum deles têm mais essa cara caipira do que o jornal da Bandeirantes, pena que a TV Bandeirantes não tenha nunca, ao longo de seu longo período de existência, adotado esta postura que está intimamente associada à rádio. Esta que seria de fato e de direito a grande emissora Paulista, deixa que estranhos dominem sua área e nos perdemos nos BBBs e outros Bs de bobagem que pairam nas noites televisivas daqueles que não têm acesso aos canais por assinatura.
Voltando aos jornais radiofônicos, estes sempre foram, a meu ver, o ponto alto do rádio. As tiradas, as falas de surpresa – sem possibilidade de edição – dos entrevistados, as perguntas pra lá de tendenciosas, tudo isso faz o charme destes programas. Gosto também da elegância, da emissão de conceitos nem sempre de acordo com a postura política do participante, da rapidez de raciocínio que a fórmula exige.
Tenho como preocupação o fato de que a escassez de novos profissionais, do nível do José Paulo de Andrade e Reale Jr, por exemplo, pode condenar estes jornais à chatice. Espero errar na previsão, claro.
Gostaria também de citar aqui jornalistas do passado, até pra ficar alinhado com a proposta do site, mas deixo isso para outros que vivenciaram os tempos Leporacianos e Sarmentistas mais do que eu.
e-mail do autor: [email protected]