Julinho Botelho, o craque e a velha Artulândia

Onde hoje fica a estação Penha do Metrô havia até o início dos anos 80, uma imensa área verde entre dois córregos, um deles hoje canalizado passava bem onde fica a plataforma de embarque, e o outro o famoso córrego Rincão que ainda hoje de vez em quando transborda para tristeza dos que moram nas proximidades… essa área era chamada de Artulândia ou chácara do Alemão (acho que o antigo dono chamava-se Artur e era alemão, não tenho bem certeza…)… ali haviam cinco campos de futebol de várzea, e foi ali, nesses campos, que tive a honra de conhecer e ainda ver jogar uma das grandes lendas do futebol brasileiro…o grande Julinho Botelho.
Era lá pelo final dos anos 60, ele havia encerrado a carreira profissional no Palmeiras e tinha montado um time de futebol que a gente chamava de Palmeirinhas, meu pai Álvaro me levava todo final de semana para ver os jogos lá na Artulândia,…e eu como corinthiano fiquei encantado com a humildade daquele craque que havia brilhado na Portuguesa de Desportos, na Fiorentina e no Palmeiras…pois além de nos brindar com suas jogadas geniais ele nunca deixava de dispensar sua atenção e carinho com todos aqueles que tiveram o privilégio de assisti-lo de pertinho, ele que calou a vaia de um Maracanã lotado ao substituir Garrincha na Seleção Brasileira e marcar em seguida um gol antológico (essa história meu pai que me contava).
Fica aqui uma sincera e carinhosa homenagem ao grande Julinho Botelho, por certo, admirado por todos aqueles que como eu amam futebol e reconhecem em sua figura um legítimo representante do cavalheirismo, da esportividade e do respeito de uma era da história de nossa cidade e do futebol que não voltará jamais…é realmente maravilhoso ficar sabendo (ao ler as bonitas histórias escritas neste espaço) que os jogadores da Portuguesa voltavam de ônibus para casa, entre eles o Julinho, que por certo estará em nosso quadro da memória eternamente voltando em meio ao povo e aos torcedores, lá pras bandas da Penha dos românticos anos 50…que essas nossas histórias possam sempre ressaltar esse lado pitoresco e humano dessa nossa metrópole, que se é "o avesso do avesso do avesso" também nunca deixará de ser o "possível Quilombo de Zumbi"………..abraços alvinegros para todos…Rafael.