Jogo de taco

Na infância, nas décadas de 1950 a 1970, que foi a minha, tinha época para tudo, não sei como isso acontecia, ou quem programava, mas todo mês tinha uma invenção, um tipo de brincadeira que se repetia todo ano no mesmo mês e parece que acontecia simultaneamente em todos os bairros e nem telefone havia na maioria das casas; será que era telepatia?
 
Tinha o mês de jogar bolinha de gude, soltar quadrado ou pipa, esse já no mês de julho e agosto, tempo de bons ventos, balões, caçar passarinho, nadar, pião, e algumas brincadeiras que todo dia era dia delas.
 
Mas uma das brincadeiras mais interessantes era o jogo de taco que reunia uma molecada, e o jogo era de dois contra dois, e sempre tinha uma dupla esperando a vez de jogar, esse já era esporádico na minha infância, não era muito comum.
 
O jogo, na maioria das vezes, era em ruas e tinha que ser reta e plana, sem buracos, e sempre tinha uma assim, mesmo porque ruas retas eram difíceis de ter buracos e recordo que a maioria dos nossos jogos era na Rua 35, atual João Meinberg, de pouco movimento, que apesar de terra batida era plana e reta em um bom trecho e de poucas casas; essa rua inclusive é divisa do Jardim São Luiz e V. das Belezas.
 
O jogo consistia em uma bolinha de tênis, ou de borracha mesmo, um pedaço de madeira de preferência bem chata para bater melhor na bola, taco fino e redondo era mais difícil acertar a bolinha arremessada. A distância entre os jogadores ou “casinhas” era de aproximadamente 20 m e colocava-se a “casinha” no meio da rua, onde o objetivo era derrubá-la com a bolinha, que era na minha época uma forquilha de três pernas; havia também com latas de óleo e outros, mas a forquilha dificultava acertar o alvo e nessa época não faltava mato para escolher a forquilha.
 
Fazia-se um círculo e no perímetro dele colocava a “casinha”. Nele ficava o rebatedor com o taco na mão e atrás do rebatedor ficava o adversário esperando a bola ser arremessada do outro lado pelo seu companheiro. O alvo era a “casinha” ou o rebatedor com o taco levantado, nesse caso o rebatedor perdia a vez de jogar com o taco.
 
Mas se o rebatedor acertasse a bolinha e ela e fosse longe as posições dos rebatedores eram trocadas batendo um taco no outro no meio do trajeto enquanto o adversário ia atrás da bolinha rebatida e ganhavam-se pontos, e assim sucessivamente.
 
Durante as partidas era comum o taco escapar das mãos e sair voando para a cabeça de alguém ou casa dos vizinhos e até nos colegas ao lado, e muitas vezes iam o taco e a bolinha juntos para o mato, muitas vezes aconteceu comigo e um fato que até hoje lembro: um taco escapou de minha mão e caiu na janela da única casa que tinha na rua, até hoje estou correndo do dono, que foi em minha casa reclamar com meus pais.
 
Geralmente as partidas iam até 12 pontos; uma coisa é certa: dava uma dor medonha nos braços no fim do dia.