Quando eu tinha entre 11 e 13 anos de idade eu batia uma bola nos fundos de um prédio na Avenida Jabaquara, altura do número 1245, no bairro da Saúde. Era uma quadra do tipo de futebol de salão, bem pequena, mas dava para a gente se divertir.
A quadra era nosso handicap, estávamos acostumados a jogar naquele espaço pequeno e nenhum time que vinha jogar "contra" conseguia ganhar da gente. Quando a gente ia jogar "fora" normalmente perdíamos.
Na "nossa" tínhamos problemas com dois vizinhos: aos fundos uma casa antiga de japoneses das antigas e do lado esquerdo o quintal de um senhor de idade, ranzinza, Dr. Gilberto, que tinha três cachorros tão bravos que espumavam de raiva.
Do lado direito não tínhamos problema devido ao muro alto de uma empresa, acho que era a Cofel.
O problema era quando a bola saía para fora das grades e ia ou para a casa dos japoneses ou para a casa do Dr. Gilberto.
Normalmente o jogo acabava.
Com o Dr. Gilberto, às vezes, ele devolvia a bola no dia seguinte e dava uma bronca na gente. Tentar descer no quintal dele era suicídio por causa dos cachorros.
Mas, quando ia para casa dos japoneses, era loteria. Ou devolviam ou furavam a bola.
Um dia meu irmão Flavio chutou e a bola e caiu lá.
A Dona Maria, japonesa mãe de um dos nossos foi lá tentar se entender com os patrícios e voltava chateada, falando:
– Se bora caiu quintal, porque non devolve, né?
– Se Fravio chutou, que culpa Fravio tem né?
Dona Maria era dona do armazém de secos e molhados que ficava na loja do prédio da Avenida Jabaquara.
Já se vão 46 anos.
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