Iniciamos esta história, no bairro do Jabaquara. <br>O nome vem do tupi-guarani yab-a-quar-a, que significa rocha e buraco; local de refúgio.<br><br>Agora, vamos nos transportar no tempo, para o século XIX.<br><br>Nessa época, o bairro era uma mata deserta, caminho para Santo Amaro e litoral. Também era muito comum o tráfego de escravos, que eram comprados e vendidos como qualquer mercadoria, separados de seus familiares, sofriam maus tratos e toda a espécie de violência, por isso era natural que quisessem fugir, na esperança de encontrarem melhores condições.<br><br>Alguns senhores donos de escravos, não concordavam com tanta violência, e os protegiam. Foi o caso de Antonio de Lacerda Franco, que registrou em seu nome o escravo Quintino de Lacerda, dando apoio e ajudando a formar o maior quilombo conhecido do Brasil, em Santos.<br><br>Quintino de Lacerda dava cobertura aos escravos, e para isso havia um esquema para que a fuga não falhasse. Os escravos combinavam anteriormente a rota e deveriam chegar à mata do Jabaquara e por ali desciam a serra a pé até chegar ao Quilombo.<br><br>Ali em Santos, no morro também chamado Jabaquara, plantavam, colhiam, e uma grande comunidade se formou.<br><br>Com o apoio de Antonio de Lacerda, a comunidade cresceu e não paravam de chegar escravos em condições muito precárias.<br>Eram cuidados, alimentados e depois passavam a ajudar nos trabalhos do Quilombo.<br><br>Uma grande união se formou e Quintino Lacerda chegou a ser eleito vereador para a Câmara Municipal de Santos.<br><br>Mas, voltando ao nosso bairro, e aos nossos dias, é possível, encontrar um pouquinho daquelas épocas tão tristes, mas que contam história.<br><br>O Sitio da Ressaca, é um local que está próximo ao pátio de manobras do metrô Jabaquara, e abriga o Acervo da Memória e do Viver Afro-Brasileiro, em São Paulo.<br><br>A construção é de 1719, e por ali passaram vários proprietários, sendo o último a família Cantarella. Em 1969, parte do local foi desapropriado para a construção do metrô de São Paulo.<br><br>Uma biblioteca, cursos e exposições também fazem parte deste ambiente que por si só contam um pouquinho do trabalho escravo.<br><br>Esta é uma pequena homenagem àqueles que vieram de terras longínquas, trazendo força e valores que foram agregados a nossa cultura, e por isso o nosso respeito.<br><br><br>E-mail: [email protected]<br><br><br><br><br>