Certo dia estava em busca de emprego, andando pelo Centro da cidade. Era a época das grandes agências de emprego, como a Snelling (por exemplo) e, por incrível que pareça, não era difícil conseguirmos uma boa colocação.
Havia já preenchido fichas em algumas agências e senti um pouco de fome. Estava no comecinho da São João e, ao olhar para a minha esquerda, vi um simpático restaurante (ao menos na época assim me pareceu) com um banner anunciando o prato do dia: "iscas de fígado". Reconheço que fígado não é muito bem "digerido" pela maioria das pessoas, mas eu, particularmente, gostava muito! Entrei e fiz o meu pedido, saboreando antecipadamente aquela gostosura! Em casa não se fazia muito, pois quase ninguém gostava.
Quando o garçom trouxe o prato e seus acompanhamentos, senti uma decepção enorme! Cadê o fígado? Achei que seriam "muitas" tirinhas de fígado e não "muitas" rodelas de cebola com um "traço" de fígado… Fiquei chateada porque não suporto cebola! Se não for "in natura", não consigo comer! Uso-a normalmente em casa, até gosto do sabor que ela empresta aos pratos, mas não consigo engolir! Bem me pus a caçar as tirinhas que teimavam em se esconder naquele emaranhado de cebola até que desisti! Passei tanto tempo procurando a carne que nem me lembrei de comer o restante do prato.
Bem, paguei a conta e fui embora, com um vazio no estômago e um sentimento meio esquisito, que não dá para traduzir em palavras.
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