Isabel, uma Piratiningana

Aqui nasci, cresci, e morri. Como vocês possuo sentimentos ternos e ardorosos por essa grandiosa cidade que ajudei a construir.

Vi a chegada dos homens brancos valentes e autoritários. A maioria deles nos maltratava. Pagávamos com a morte, uma reação. Mas por um dele nos afeiçoamos e confiamos. Ele se chamava João Ramalho. Meu pai, o morubixaba guayanás, tornou-se seu fiel escudeiro, e eu sua mulher. Dei-lhe muitos filhos.

No dia da cerimônia da Nova Missão fui batizada, e recebi o nome de Isabel pelo taumaturgo José de Anchieta. Passei a frequentar a escola da missão. Aprendi a ler e escrever. Meu pai Tibiriçá, assim chamado pelos brancos, e João Ramalho, e eu sua mulher, iniciamos a construção de uma tosca igreja em louvor a São Bento. A igreja fica a poucas braças do Pátio do Colégio.

Mas nem tudo era paz no povoado que ia crescendo. Havia muito descontentamento entre os índios que não aceitavam as inovações. Um meu tio, irmão do meu pai, despeitado, revoltou-se e insurgiu-se contra nós. Muralhas foram construídas. João Ramalho recebeu o titulo de capitão de guerra.

Meu pai morreu em 1562. Foi sepultado na sua tosca igreja de São Bento que tanto se orgulhava.

Em 1580 faleceu João Ramalho. Conforme seu desejo foi sepultado ao lado do meu pai. Eu também me juntei a eles tempos depois.

Meu nome é mais conhecido por Bartyra, que significa flor.

e-mail do autor: [email protected]