Todo sonho de menino da nossa geração era ganhar uma bicicleta.
Sempre que se aproximava a época de Natal, nós (irmão) começávamos a virar "Santo".
Minha mãe já desconfiava, pois obedecíamos a suas ordens sem contestação.
Fomos educados a chamarmos nossos pais de "você", o que na época era inconcebível. Aí começávamos a tratá-la de "senhora", pronto! Ela nos olhava com um ar maroto e indagativo, como quem diz: "O que será que eles estão querendo?". Principalmente quando os ajudávamos no empório que eles tinham, na Manoel de Nóbrega, Brooklin/Banespa.
Não demorava muito e ela já adivinhava…
Meu irmão, mais espertinho, aproveitou uma "deixa" e falou:
– Mãe, a gente quer ganhar uma bicicleta do Papai Noel no Natal.
Meu pai, com a voz de tenor que tinha, falou:
– Não disse, Aracy (mãe). Eles são é sabidos. Agora ficam parecendo uns anjinhos, mas depois…
Meu pai era do tipo imponente e que impunha respeito a todos pelo porte físico e maneira de ser (liberal e gozador).
Mas quem mandava era nossa mãe.
Foi assim que ganhamos nossas primeiras bicicletas Phillips naquela saudosa década de 50, cujas fotos até hoje guardamos com carinho.
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