Um domingo de abril de 1962.
O baile no Cruzeirinho do Tatuapé rolava solto ao som de Bienvenido Granda, eu num canto sem muito animo pra dançar, havia saído recentemente de um amor frustrado…
Então ela dançando com o ciganinho, um pé de valsa da região, virou o rosto na minha direção e sorriu.
Devolvi o sorriso e na próxima música procurei-a pra dançar. Ela veio de pronto, e dançava à beça. Nunca a havia visto mas me disse que frequentava fazia tempo.
Acho que sou meio leso em perceber as pessoas ou é o destino mesmo.
Naquela noite ela não dançou com mais ninguém, só comigo.
Dançamos o resto do baile e a levei até a esquina da sua casa. Quis beijá-la, mas recusou… “É muito cedo ainda” disse. Afinal, estávamos no início dos anos 60. Era normal. Quem sabe, outro dia.
E o outro dia veio na semana seguinte…
Um mês depois, estávamos apaixonados.
E também pelos bailes, dançamos, dançamos muito… Três anos depois, estávamos casados.
Como na música do Adoniram, hoje a Iracema mora no céu.