A espera por um telefonema

Após décadas de intensa vida em comum e amor, uma decisão definitiva:
 
"Por conta do seu tratamento, você mora em São Paulo, no Brooklin, e eu fico na tranquilidade das Minas Gerais!".
 
Ele disse: “ligarei para você no sábado, pontualmente, às 10 horas, na data e hora do nosso casamento, há sessenta anos, o que me deixa muito feliz”.
 
Avisou a filha e não permitiu a presença de ninguém na sua casa, pois queria conversar a sós com a amada.
 
Naquela manhã de sábado ela ficou de prontidão, sentou na poltrona a espera do telefonema.
 
O horário marcado foi passando. Dez, vinte, trinta minutos, estranhou…
 
Às onze horas, não aguentou, ligou e perguntou: “Está tudo bem você? Disse que me ligaria hoje às dez da manhã, estou preocupada, o que aconteceu?”
 
A resposta foi: “É que aqui, nesta casa, tem tanto relógio que eu não sei qual está certo!”.
 
Em seguida, ele aproveitou reclamou do latido do cachorro, do barulho na rua, entre outras rabugices.
 
O motivo principal passou bem longe. Espanto, essas coisas do RG…