Meu nome é Marcello Antonio Mastrorosa Pedro, nasci em 1971 e vivi toda minha infância e adolescência na Vila do Bosque, uma região entre o Bosque da Saúde, o Jardim da Saúde e o bairro da Saúde, propriamente dito.<br>Minha casa ficava numa rua bem pequena, mas com um nome enorme: Almirante Felipe Rodrigues Chaves, encrustada entre as Ruas da Contagem (antiga Visconde de Pelotas) e General Chagas Santos, a qual chamávamos carinhosamente de "vila". Ela era uma das inúmeras ladeiras daquela região, mas não impedia em nada que jogássemos bola em toda sua extensão. Quem não morava lá mal acreditava que conseguíamos correr pra cima e pra baixo sem nos cansar (hoje realmente é difícil de acreditar, pois não consigo correr nem até a esquina).<br>De tempos em tempos alguém aparecia com um resto de tinta para desenhar a área do gol em cada lado da rua, além de uma área especial para "treinamentos" onde jogávamos controle (também conhecido como 3 dentro, 3 fora) e linha (que não lembro se foi invenção nossa ou se era jogada em outros lugares também). Além do futebol, nossa vila era palco de diversas brincadeiras como pega-pega, esconde-esconde, barra-manteiga, estátua, duro ou mole, futebol de botão, taco, taco sem taco, bolinha de gude, pião, quadrados, carrinhos de rolimã e até mesmo qualquer pedaço de fórmica, para que deslizássemos ladeira abaixo para alegria da garotada, desespero das mães e ódio das vizinhas chatas que reclamavam da nossa algazarra.<br>Quando chegavam as festas juninas, era gostoso ver a maioria dos vizinhos reunidos em volta de uma fogueira montada na calçada (geralmente na frente da minha casa), com no máximo uma pipoquinha e uma batata doce assada, mas tudo regado a muita conversa animada. Além dos inúmeros balões que fazíamos de papel de seda ou até mesmo de jornal, que tínhamos que pedir de casa em casa, tocos de vela, cera de chão, estopa e arames para fazermos a mecha do balão, tudo muito artesanal, o que nem sempre resultava na subida do balão, mas mesmo quando queimava tudo era festa.<br>Nas manhãs de domingo, um dos passeios preferidos era ir ao campo do Cometa, que ficava no final da Chagas Santos, esquina com a Abrahão de Moraes (que chamávamos de Imigrantes), onde hoje fica o Sacolão da Saúde e o McDonalds. Era um enorme campo de várzea, onde podíamos assistir a um duelo entre os boleiros da época. Mas o melhor estava reservado para o intervalo das partidas, onde podíamos entrar em campo e bater uma bolinha, para voltarmos completamente encardidos de tanta terra e, principalmente, podermos testar se aquelas travas do Kichute funcionavam mesmo.<br>Enfim, são ótimas lembranças de uma época onde era necessário muito pouco para sermos felizes.<br><br>e-mail do autor: [email protected]