Temos em São Paulo indústrias de todos os tipos e imagináveis com seus inventores e empreendedores até se reinventando, mas essa que existe há 50 anos é uma das poucas e dirigida por um de seus fundadores, com exportação para outros países. Começou em São Paulo, passou por alguns dissabores até com a morte prematura de um de seus fundadores, bairro do Ipiranga, cresceu tanto que mudou-se para o Embu-Guaçú, em uma área de quase 11 mil metros quadrados, a indústria da alegria chama-se Gope, onde grandes artistas contribuíram para seu grande desenvolvimento, da geração 60, 70, 80 e até hoje, todos da jovem guarda.
As escolas de samba, fanfarras, conjuntos musicais, bandas, trios, enfim, onde há espetáculos, há um instrumento musical da empresa. Como nosso coração, a ala “Bateria” é o coração das agremiações carnavalescas, lá estão os tambores, apitos, cuicas, caixas, etc.
Em homenagem ao Carnaval, à Bateria, a São Paulo, deixo aqui um poema do poeta “moçambicano”, José Craveirinha, chamado: Quero ser tambor
“Tambor está velho de gritar
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
corpo e alma só tambor
só tambor gritando na noite quente dos trópicos.
Nem flor nascida no mato do desespero
Nem rio correndo para o mar do desespero
Nem zagaia temperada no lume vivo do desespero
Nem mesmo poesia forjada na dor rubra do desespero.
Nem nada!
Só tambor velho de gritar na lua cheia da minha terra
Só tambor de pele curtida ao sol da minha terra
Só tambor cavado nos troncos duros da minha terra.
Eu
Só tambor rebentando o silêncio amargo da Mafalala
Só tambor velho de sentar no batuque da minha terra
Só tambor perdido na escuridão da noite perdida.
Oh velho Deus dos homens
eu quero ser tambor
e nem rio
e nem flor
e nem zagaia por enquanto
e nem mesmo poesia.
Só tambor ecoando como a canção da força e da vida
Só tambor noite e dia
dia e noite só tambor
até à consumação da grande festa do batuque!
Oh velho Deus dos homens
deixa-me ser tambor
só tambor!”