Incêndio no Brás

Em fevereiro de 1971 minha família chegou ao bairro do Brás, na Avenida Rangel Pestana (prédio das Casas José Silva), na esquina com a Rua Professor Batista de Andrade.

No mês de agosto daquele ano, em um dia que não me lembro, já eram mais ou menos 23h00 e eu estava dormindo, até que a minha mãe me acordou apavorada e dizendo que o prédio estava pegando fogo.

Imaginem o nosso desespero, só deu tempo de eu vestir uma calça por cima da calça do pijama e uma blusa, e descemos seis andares pelas escadas do prédio, pois o meu pai que era o Zelador, já havia desligado a energia elétrica e estávamos sem o elevador.

Ficamos na avenida vendo o trabalho dos bombeiros, que tinham acabado de chegar.

Na verdade o incêndio ocorreu nos fundos da loja que ficava no térreo, exatamente no depósito da loja, no térreo e no primeiro andar, não exatamente embaixo do prédio, mas nos fundos, na Rua Professor Batista de Andrade.

Ficamos ali aguardando o término do trabalho dos competentes bombeiros que resfriaram as paredes e não permitiram que as chamas chegassem ao prédio, a Avenida Rangel Pestana ficou interditada e só foi possível voltar ao apartamento por volta das 2h30 ou 3h00 da madrugada.

A rua ficou um pouco cheia, pois alguns moradores esperavam agoniados e outros curiosos, mas o incêndio atingiu somente os fundos da loja destelhando o depósito e o primeiro andar.

Isso tudo aconteceu antes dos famosos incêndios do Andraus (fevereiro de 1972), que pude ver da janela do meu apartamento, e o do Joelma (fevereiro de 1974), que vi pessoalmente, pois na ocasião eu trabalhava na Rua Sete de Abril e fui fazer um trabalho na filial, na Alameda Lorena. Fui caminhando da Praça 14 Bis até a região onde ocorreu a catástrofe.

Fiquei vendo por mais ou menos meia hora e quando eu vi algumas pessoas se atirando, fui para o escritório chateado e com um pensamento: "devemos acreditar que a vida é boa, e não estamos aqui a toa!"

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