Perdemo-nos no tempo e nos afazeres. Onde estariam meus amigos dos tempos de jovens no Brás? Aos poucos, uma pergunta aqui outra ali, uma pesquisa no Google, o retorno às ruas onde vivemos; o encantamento de uma juventude sem grandes vícios, com muito romantismo, camaradagem e bom humor apesar dos poucos recursos financeiros de que dispúnhamos, fomos nos encontrando, um a um.
O Ezabella, o João Belmonte, o Edison Canhedo (sim, Edison com "i" ), o José Taleb, todos advogados. A Dorinha, a Branca, a Joana, a Ana e o Douglas. E até, incrível, o Rolando Espósito, amigo inseparável, quase irmão, hoje professor de xadrez em uma cidadezinha de Minas, Rio Pomba. Com certeza, se eu não houvesse mudado do Brás na época, também seria advogado, acompanhando a turma.
Cabelos brancos, alguns com menos cabelos, mais gordinhos, mas com o mesmo bom humor de nossa mocidade. Relembramos em nossos encontros dos tempos românticos e tranquilos que marcaram os anos 50 e 60. Conseguíamos nos divertir com muito pouco, como uma partida de bilhar no bar do Mané, esquina da Pires Ramos com a Avenida Rangel Pestana; as sessões de cinema no Piratininga e Cine Glória, os inesquecíveis bailes de formatura no Clube Homs, Piratininga (onde entrávamos como penetras, mas muito bem vestidos com nossos ternos escuros confeccionados pelos Vilarino, alfaiate e a indispensável gravata ).
As idas ( a pé ) aos cinemas do centro, cines Metro, Olido, Marabá. No retorno, parada obrigatória na Salada Paulista, com um croquete que nunca mais se degustou igual. O namoro inocente, o bolero, a música orquestrada ao vivo com Severino Araújo, Henrique Simonetti, orquestra Tabajara; nossas amigas e outras participantes vestidas como princesas rodopiando pelo salão. O Rodiar Grandizolli dando show dançando, fazendo por vezes outros pares pararem para admirar.
Bem, recordar é viver e no reencontro de hoje, parece-nos reviver toda a emoção de nossa juventude no Brás.
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