Pois bem, tinha meu cunhado, Arnaldo Passacantando, já falecido, trabalhado na Light (seu único emprego na vida), por coincidência, trabalhava lá também o marido de minha prima Amália, Rubens, e ás vezes nos servíamos deles pra não ter que ir até o centro.
Minha tia Izabel, (já falecida) mãe da Amália, um dia esqueceu-se de pedir ao genro que pagasse a conta que vencia naquele dia. Pediu então ao filho de uma sobrinha dela, Toninho. Garoto esperto, vivo, inteligente, nem um pouco tímido. Há muitos anos que não o vejo, sei que hoje é um bom dentista. Ele recebeu as instruções para chegar a Light, devia ter uns dez anos mais ou menos, no final da década de 1950.
A instrução da tia Belina era para que ele chegasse lá, perguntasse pelo Rubens e entregasse a ele a conta para o pagamento. Não deu o dinheiro porque tinha receio que ele perdesse e depois acertava com o genro. O Toninho chegou naquela bela entrada do prédio, só via gente atrás dos guichês. Não sabia o que fazer, de repente lhe veio à memória a instrução. Pôs as duas mãos em concha na boca e deu um tremendo de um berro:
– "Eu quero falá co Rube” (pronunciava o nome do Rubens a moda dos italianos, o "R" era o "R" do urubu, (não carregava como se fosse dois erres), vocês entenderam, não é mesmo?)
– É o Rube da Belina, chama ele, pra mim, pô, voceis son surdo?”
Veio o segurança, acalmou o Toninho, descobriu o andar em que o Rubens trabalhava e assim o Toninho foi para casa, missão cumprida.
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