Em 21 de dezembro de 1874 nascia em Parma, na Itália, Claudio Bonadei. Aos 20 anos o jovem italiano resolveu vir para o Brasil, naturalizando-se brasileiro. Chegando aqui encontrou uma jovem também italiana, nascida na cidade de Gênova, por quem se apaixonou e em seguida se casaram. Tiveram seis filhos, Adriano (falecido na primeira infância), Inês, Dina, Julia, Corina (falecida na primeira infância) e Aldo, o caçula, que atualmente é um dos consagrados artistas da pintura brasileira "Aldo Bonadei". Claudio Bonadei estudou engenharia mecânica em Parma, muito habilidoso e inteligente, tornou-se um inventor e pesquisador.
No natal, para a alegria das crianças, montava um presépio com movimento com um trem que circulava por todo ele, entrava em um túnel e desaparecia para depois reaparecer do outro lado, saindo de outro túnel. As crianças ficavam admiradas com aquele acontecimento. Tinha cascata e um lago, onde circulava um barquinho sem motor, o que era outra atração para as crianças que ficavam abismadas com a mágica. O segredo estava embaixo do presépio: havia um motor com uma roda imantada que fazia o barco de metal circular pelo lago.
Para levar seus filhos a passeio, montou um triciclo movido a gasolina e depois, em 1903, começou a montar o seu próprio automóvel, que foi o primeiro carro montado no Brasil, modelo “Tonneau”, utilizando um motor importado da França. Levou por volta de dois anos na construção do carro, pois trabalhava só nas horas de folga, quando terminava suas atividades como gerente na Companhia Singer. Ele fez a carroceria, peça por peça, e também o para-lama. Construiu as rodas com raios de bicicletas e todos os acessórios como a buzina e lanternas. No estofamento dos bancos dianteiros e traseiros usou cromo vermelho alemão.
Quando o automóvel ficou pronto, foi pintado de vermelho. O seu trabalho então já tinha terminado e ele resolveu dar uma volta para experimentá-lo, foi quando percebeu que o carro não passava pela porta da garagem, daí teve que derrubar uma parede. No teste de rua, para sua alegria o carro funcionou perfeitamente, foi um sucesso. Subiu a Ladeira São João (hoje avenida) e circulou pela cidade causando muita euforia na família e nos transeuntes.
Em 11 de março de 1905, teve concedido pelo então atual prefeito de São Paulo, Antônio Prado, o alvará de licença, para poder circular com o carro pela cidade e todos os domingos saía com a família para passear. Para dirigir o automóvel usava-se um guarda-pó de "chauffer" feito de linho, era o costume da época. A viagem mais interessante foi a que fez para Santos. Convidou um amigo para acompanhá-lo, pois naquela época não havia estradas asfaltadas, eram somente trilhas de terra, e na descida da Serra do Mar, o amigo ia colocando pranchas de madeira no caminho, para que o carro pudesse passar. Foi uma aventura, levou muitas horas para chegar à Santos.
Residiu com a família em Santos de 1914 à 1921, quando resolveu voltar para São Paulo, onde sua esposa e filhas montaram um ateliê especializado na feitura de plissê, bordado e costura. Para facilitar o trabalho delas, ele inventou e patenteou um novo aparelho para plissar tecidos. Como era moda as senhoras usarem saias plissadas, e sua esposa era modista, foi um sucesso. Como as máquinas de costura naquela época, para começarem a funcionar, teria que se usar a mão e os pés, então para facilitar o funcionamento, inventou e patenteou um aparelho para máquina de costura a pedal, que acionando somente os pés funcionava normalmente.
No ano de 1929 Bonadei resolveu viajar para a Itália e sua esposa transferiu o ateliê de costura que possuía no centro de São Paulo, para junto de sua residência, assim suas filhas teriam mais facilidade para trabalhar. Depois de tudo resolvido, despachou o carro marca Fiat por via marítima para Gênova, e viajou com sua esposa para lá a passeio, ficando por seis meses. Na volta para o Brasil doou o seu automóvel para a Cruz Vermelha da Itália.
Em 1933 inventou e patenteou um novo modelo de camisas para homens, com abotoadura no colarinho para facilitar o ajuste. Ele inventou também para os automóveis um novo sistema de transmissão e mudanças de velocidade, sem fricção de interrupção de marchas (hoje o hidramático) no ano de 1939, cuja patente vendeu a uma fábrica européia.
Fez várias pesquisas e dentre elas o aproveitamento do movimento das ondas do mar e dos lagos. Para aproveitamento da força hidráulica, pesquisou e estudou a possibilidade de chegar ao moto-contínuo, que na época era um assunto que empolgava os engenheiros mecânicos e os inventores. Aos domingos ia até para algum lago próximo e levava o neto Waldyr para com ele participar das experiências.
Em 1939 começou a construir sobre o chassi de um caminhão uma auto-casa, mas o destino interrompeu seus projetos e pesquisas por uma morte repentina.
E-mail: [email protected]