História da imigração italiana no Brasil

Dia 21 de fevereiro é o dia oficial do imigrante italiano que, com garra e muita determinação ajudou na construção dessa cidade cosmopolita. Nossas raízes são essenciais para compreendermos melhor a cultura, os conceitos individuais de nossos antepassados, porque a sociedade atual está em perigo de ficar cada vez mais alheia às tradições deixadas de fora e esquecidas, porque nós mesmos somos estéreis, egoístas, muito diferentes de nossos ancestrais. Ao invés disso, eles eram certamente mais altruístas e de melhores comunicações, especialmente na vida cotidiana.

Devemos cultuar o passado, temos de resgatar e preservar e passar adiante para as novas gerações, evitando assim, de sermos uma árvore sem raízes.
– O que entendeis por uma nação próspera senhor ministro? Essa era a pergunta que não queria calar na voz do imigrante italiano.
– É a massa de infelizes? Senhor ministro, plantamos e ceifamos o trigo, mas nunca provamos o pão branco.
– Cultivamos a videira e nunca bebemos o vinho.
– Criamos animais, mas não comemos a carne.
Apesar disso tudo, vós senhor ministro aconselhais a não abandonarmos a nossa pátria a querida Itália? Mas é uma pátria onde atualmente não se consegue viver do nosso próprio suor e trabalho! Portanto, senhor ministro iremos para “Mérica… Mérica…”
– Iremos para a América, para aquele belo Brasil, e lá os nossos imigrantes e seus filhos trabalharão a terra com a pá e o suor do próprio rosto.

Em vista disso, portanto, descendentes, tenham orgulho de seus humildes antepassados, pois são essas pessoas simples a quem eu procuro; o sal da terra por assim dizer, aqueles que domaram o solo bruto da nova terra e fizeram o sentimento florescer nos corações; são estes que eu procuro e gosto de encontrar, quando mergulhado na estrada da genealogia e da história e é apenas por imenso orgulho que me deixo levar, refazendo seus passos para assim os imortalizar na história.

Todos aqueles imigrantes italianos que buscaram no sonho do novo mundo o caminho da glória. Portanto, não devemos jamais desapontar nossos humildes imigrantes ainda que descobrissem que os seus avós, bisavós ou tataravós só tinham às estrelas para contemplar. Pois bem, a primeira viagem da imigração italiana para o Brasil, aconteceu no dia 03/01/1874 às 13h, quando partiram do Porto de Gênova em um navio a vela o "La Sophia" na expedição Tabacchi; o segundo pelo "Rivadavia"ambos de bandeira francesa. O Sophia chegou ao Brasil em 21/02/1874 com 386 famílias, segundo o sociólogo italiano Renzo M. Grasselli. A expedição de Pietro Tabacchi foi o primeiro caso de partida em massa da imigração do norte da Itália para o Brasil. O nome da colônia criada no Espírito Santo pelo governo brasileiro se denominou de Nova Trento. Podemos dizer que Santa Cruz foi o berço da imigração italiana no Brasil.

No começo do século XIX, a Europa encontrava-se marcada por diversas revoluções liberais, vindo a ocasionar profundas modificações políticas e econômicas em seu seio. Após o Congresso de Viena em 1814, a Itália estava dividida em sete regiões: Reino do Piemonte e Sardenha, o Reino Lombardo e Veneziano; o Reino das duas Sicílias; os Estados da Igreja e três ducados submetidos ao poderio austríaco. Surgiu na Itália à ordem Carbonária que tinha por objetivo combater o absolutismo, a intolerância da religião e buscava como principio fundamental, defender os ideais liberais.

Em 1850 sobre 1800 comunas do Reino de Nápoles, 1500 não tinham estradas. Em muitas regiões, não sabiam o que era o dinheiro; as trocas se faziam em natura, como no tempo de Cícero. "in sostentamento di uno braccianti costa meno di quello di un asino" "O sustento de um trabalhador braçal custa menos do que um burro" com essa situação, com as autoridades insensíveis às necessidades das massas populares começaram os primeiros movimentos imigratórios. Começa o período da longa imigração.

Na época a malária matava 40000 por ano; a pelagra 100000 entre 1884/87, o cólera tinha matado 55000 pessoas. Metade eram crianças com menos de cinco anos de idade, porque a comida era escassa e a higiene era nula. A Itália parecia um país de analfabetos. Só a região no Piemonte e na planície do Pó demonstrava um pouco do progresso agrícola. As imigrações italianas para o Brasil segundo as regiões de sua procedência no período 1876/1920 eram as seguintes: Vêneto 365710 imigrantes; Campânia 166080; Calábria 113155; Lombardia 105973; Abruzzi/Molise 93020; Toscana 8056; Emília/Romana 59877; Brasilicata 52888; Sicília 44390; Piemonte 40336; Puglia 34833; Marche 25074; Lazio 15982; Úmbria 11818; Ligúria 9328; Sardenha 6113, perfazendo um total de 1243633 imigrantes entrados no Brasil. Essas fontes são dos registros do Brasil 500 anos do povoamento, dados fornecidos pelo IBGE do Rio de Janeiro.

A imigração e a diversidade cultural, a pobreza dos tempos coloniais jamais levaria a imaginar a pujança e o dinamismo econômico, social e cultural, que são característicos de São Paulo. Quem construiu toda essa riqueza? Em primeiro lugar, o que se poderia chamar de espírito bandeirante de São Paulo. O que é notável desde os tempos coloniais é que, em um território inóspito, uma população escassa de colonos portugueses intensamente misturados à população indígena nativa e, mais tarde, aos escravos africanos, para formar esse mundo de mamelucos, cafuzos e mulatos da capitania e depois província colonial, fosse capaz, movida pelo gosto da aventura e pela ambição, de sustentar um empreendimento de vulto e tão arrojado como a organização das bandeiras, que resultariam na redefinição do território nacional em suas atuais fronteiras é essa população cabocla, essencialmente mestiça, que manteve por três séculos a cultura tradicional paulista, a cultura caipira encontrada no interior do Estado. Mas se engana quem vê nessa cultura uma forma de atraso. Feita de lealdade mesclada a uma sossegada e manhosa astúcia, esta cultura de homens e mulheres que sempre souberam tirar proveito das circunstâncias, como instrumento de sua própria sobrevivência, nas condições de penúria proverbial que sempre foram até o século XIX, as províncias paulistas, é sobre essa cultura tradicional que vem se enxertar, na segunda metade do século XIX, a imigração italiana, que imprimiria à vida de São Paulo seu dinamismo insuperável.

Qual a base da mistura cultural do paulista? A resposta correta é o Mundo! Afinal, no início da imigração, homens e mulheres de mais de 60 países se estabeleceram em São Paulo, em busca de oportunidades. Eles aqui foram acolhidos porque a província paulista necessitava de mão de obra para a lavoura cafeeira e, hoje, estima-se que São Paulo seja a terceira maior cidade italiana do mundo.

O final do século XIX e início do século XX marcaram um período de transformações mundiais. Guerras e revoluções resultavam em desemprego e fome na Europa. Populações inteiras rumavam para longe de suas terras, buscando refugio às perseguições étnicas, políticas e religiosas. As informações da existência de uma terra nova e cheia de oportunidades chegavam além mar. Havia, portanto, mais que os portugueses, aqui presentes desde o descobrimento, os negros africanos, obrigados a cruzar o Atlântico como escravos, e os índios, a atrair para a colonização do Brasil.

Em uma prudente política migratória, os monarcas brasileiros trataram de atrair novos imigrantes, oferecendo lotes de terra para que pudessem estabelecer como pequenos proprietários agrícolas. Dessa forma, os imigrantes eram embarcados na terceira classe dos navios e vinham instalados nos porões, onde a superlotação e as precárias condições favoreciam a proliferação de doenças, de modo não muito distinto dos antigos navios negreiros. A diferença era agora que já não se tratava de transportar escravos para o Brasil. Da Europa até o porto de Santos a viagem demorava até 30 dias. No navio Tommazo de Savoia minha avó materna embarcou em Genova para o Brasil em 1912 com dez filhos em busca de um novo horizonte na sua vida e de seus descendentes.

O complexo da Hospedaria do Imigrante reconstitui a saga dos imigrantes e presta uma justa homenagem aqueles heróis anônimos que ajudaram a construir o Estado Paulista. Na virada do século XX o imigrante constituía o grosso do operariado paulista. Portanto, fica aqui a minha homenagem a esse laborioso e valente povo italiano, que com idealismo, dignidade e com o suor de seu rosto, a coragem a garra e muita determinação, ajudou de forma absoluta na construção dessa cidade cosmopolita. Descendentes de italianos, portanto, tenha orgulho de seus antepassados e parabéns a todos vocês!

E-mail: [email protected]