À distinta Colônia Portuguesa em São Paulo:
Minha história é na verdade uma tentativa feita há alguns anos através de uma carta dirigida à neta da Família Castro com o intuito de saber detalhes da vida de minha falecida mãe. Infelizmente, não consegui resposta.
(sic)
Meu nome é Eduardo Mancini, moro no bairro de Vila Mariana, muito próximo da Faculdade Belas Artes. Meu nome consta da lista telefônica, Rua Major Maragliano, 517.
"Com o propósito de resgatar lembranças de um enigmático passado, tentando obter respostas quase impossíveis de mistérios que teimosamente vivem em minha cabeça (imagine: eles se foram e eu esqueci de perguntar), valho-me deste recurso, talvez o último em minha existência, desafiando lógicas e padrões usuais, temendo a certeza de um muito provável insucesso, mesmo assim sou impelido a tentar:
No final do século retrasado (1870-1890), três (ou duas) jovens de nacionalidade portuguesa deixaram de navio a terra em que viviam, Vila Real, e desembarcaram em terras brasileiras.
Creio que seus nomes eram Maria Quitéria (que viria depois a se chamar Maria Quitéria Castro), sua filha Bráulia e minha avó, (mãe da minha mãe), Maria Leopoldina Garganta (ou Barros).
As lembranças que possuo de minha avó são poucas e nebulosas, pois eu era muito menino quando ela faleceu. A imagem que me vem à lembrança era ela deitada, doente em uma cama, onde permaneceu nos doze últimos anos de sua vida. A casa em questão era no bairro do Brás, bairro em que eu também morava.
Maria Quitéria e sua filha Bráulia também moravam na mesma rua (Monsenhor Anacleto) e frequentemente a visitavam, isto até seu falecimento em 2 de agosto de 1951.
Minha avó, muito jovem ainda, teve cinco filhos no início do século passado 1900-1905, (dois homens e três mulheres) na cidade de Analândia, município de Rio Claro, onde trabalhava como lavradora, antes de se mudar para São Paulo. De tudo isto, tenho certeza apenas do nascimento dos quatro primeiros filhos, pelos registros de nascimentos lavrados naquela cidade. Do quinto filho, minha saudosa mãe, nem este registro eu tenho.
Em resumo, toda esta abordagem atrevida, e por isso peço desculpas, foi levada pela coragem que me deu, sabedor da amizade que unia Maria Quitéria Castro e Maria Leopoldina Garganta (Barros), e o meu objetivo é tão somente (e apenas por e-mail – tenha a mais absoluta certeza que jamais serei inconveniente e sequer voltarei a amolar), insisto, meu objetivo é saber de fatos relacionados às pessoas acima citadas, com o único propósito de aquietar minha mente e tapar fendas que ficaram em algum lugar do passado.
Se nada do que foi relatado tiver qualquer relação com a sua pessoa/família, por favor desconsidere este, como se nada tivesse acontecido. Peço apenas acusar o recebimento/leitura."
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