Grandes mulheres de São Paulo

PEROLA BYNGTON
Dona Perola Byngton, era a presidente da Cruzada Pró Infância, na Avenida Brigadeiro Luiz Antonio. Era uma mulher linda. Cabelos branquinhos encaracolados. Sorriso espontâneo. Era a "Mãe" de todas as crianças. Eu e meus irmãos éramos fregueses daquela clínica infantil. Tive o orgulho de ter suas mãos por muitas vezes na minha cabeça. Lá onde estava o Cruzado Pró Infância, e que virou o Hospital da mulher. Esta seu nome encravado nas raízes da cidade. Praça Perola Byngton.

LEONOR MENDES DE BARROS
Dona Leonor, três vezes primeira dama do estado pouca importância dava para esse fato. Era senhora bondade. Cuidava dos pobres e necessitados. Foi a fundadora dos sanatórinhos de Campos do Jordão, que cuidou dos tuberculosos de São Paulo. Tinha como propósito fazer o bem aos seres humanos. E fazia sem propósito político, embora os opositores de seu marido assim não achavam. Mas o povão adorava dona Leonor. Meu pai, inimigo ferrenho de Adhemar, dizia que a única coisa boa que tinha no palácio dos Campos Elíseos era dona Leonor. Certa ocasião sentada no banco do passageiro do carro dirigido por seu genro, disse: João, para o carro. Isto feito ela desceu e foi ao encontro a uma mulher deitada na calçada para saber o porquê ela ali estava e o que ela precisava. Foi um grande exemplo a muitas mulheres.

HEBE CAMARGO
Tal qual Chiquinha Gonzaga, era uma mulher acima de seu tempo. Tinha independência. Foi uma das primeiras mulheres a dirigir automóvel. Era cantora. Denominada de a Estrela de São Paulo. Isso num tempo em que artista de rádio não tinha boa fama. Imagine uma mulher, bonita, sorridente, com grande carisma, o que sofreu ela na boca dos fofoqueiros(as) de plantão. Sobreviveu a tudo isso. Foi bastante difamada e hoje aos 78 anos de idade esta aí firme e reconhecida como uma grande mulher brasileira, que não tem papas na língua, e não deixa para amanhã o que tem que dizer hoje.

JÔ CLEMENTE
Era uma mulher comum. Uma dona de casa. Esposa de médico. Que ao dar a luz teve o dissabor de ver que seu filho tinha algo de diferente das outras crianças. Seu marido, médico que era, a poupou naquele momento, não dizendo nada. Mas o médico pediatra que ela consultou disse: seu filho tem um problema que ainda é novo para nós. Mas saiba que quem nasce com esse problema não vive por muito tempo. Dona Jô foi em frente e foi a idealizadora da fundação da AACD, que cuida das crianças com essa deficiência e outras deformidades. Seu filho, o Zequinha, viveu cinqüenta anos. Viveu bem, viveu o seu mundo. Um mundo musical. Tocava piano, bateria, sabe lá se outros instrumentos. Partiu para outra camada da vida e nunca perturbou ninguém. Dona Jô, uma das mulheres da gloriosa galeria de grandes mulheres.

DORINA NOWILL
Vítima de deficiência visual depois de moça, essa mulher também não ficou sentado a uma cadeira ouvindo sons para a vida passar por ela. Mesmo com deficiência visual, criou o instituto Dorina Nowill, que cuida de pessoas com essa deficiência. Graças a essas mulheres, as de hoje entraram num caminho que antes era espinhoso, e com a independência das mulheres a partir dos anos 1970, pegaram uma estrada mais amena.