Há quase 20 anos, frequentava um bar da Rua Nestor Pestana um senhor de idade já avançada, aposentado depois de muitos como investigador de polícia, que, quando de bom humor (o que era raro), nos divertia falando sobre grandes e pequenos golpes aplicados por vigaristas na cidade de São Paulo.
Relembro aqui alguns de seus relatos para que alguém possa, talvez, fazer algum comentário, ou até lembrar de outros golpes:
Relógio:
Dois rapazes bem vestidos chegam a uma joalheria para comprarem um relógio Rolex, que seria dado ao patrão como presente de aniversário, oferecido pelos funcionários da empresa.
Como os dois não chegavam a um acordo sobre o modelo que mais o agradaria, fazem o pagamento de um relógio e pedem ao dono da joalheria que um funcionário os acompanhasse, com os dois relógios, até a empresa, que ficava no prédio ao lado, onde o próprio patrão faria a escolha.
Chegando ao bem montado escritório da empresa são atendidos pela secretária, que pede ao funcionário da joalheria que aguarde uns instantes enquanto os três entram na sala do patrão com os dois relógios.
Só depois de um bom tempo esperando é que o rapaz descobriu que a "sala do patrão" (que tinha outra porta de saída) estava vazia, e que aquele escritório estava sendo desocupado, pois a empresa, antes ali estabelecida, mudara-se para outro andar.
Filmadora:
Em resposta a um anúncio de jornal que oferecia uma filmadora de última geração por um valor bem abaixo ao de mercado, o interessado era atendido por telefone por uma pessoa com sotaque castelhano que justificava o baixo valor pela necessidade de comprar uma passagem aérea ainda naquele dia, pois ele havia sido assaltado, tendo o ladrão levado, além de dinheiro e documentos, também a sua passagem de volta para Argentina.
O local da transação era um apartamento em um edifício residencial no centro, normalmente alugado para temporada.
À noite, chamada pela vizinha desse apartamento, que ouvira batidas e gemidos vindos do mesmo, a polícia encontrou oito interessados na compra da filmadora. Todos amarrados e amordaçados…
Enterro:
Com as informações obtidas no anúncio fúnebre do jornal e o número de telefone na lista telefônica, o vigarista ligava para casa do falecido durante o horário do funeral, e em tom dramático dizia à empregada que a administração do cemitério estava impedindo o enterro devido à falta de um documento que havia sido esquecido em casa pela viúva. Informava ainda que como amigos da família, ele a esposa haviam sido incumbidos pelos parentes (citava os nomes do anúncio) de buscarem imediatamente tal documento.
A pobre empregada revirava a casa à procura do tal documento juntamente com o distinto e elegante casal, que aproveitava para fazer "uma bela limpeza" por onde passava…
Barbearia:
Um homem entra numa elegante barbearia acompanhado por um garoto com uniforme escolar.
Após cortar o cabelo, fazer a barba, manicure e engraxar os sapatos, o homem coloca o garoto na cadeira do barbeiro para também cortar o cabelo e avisa que vai tomar um café.
Após terminar o corte e recomendar que sentasse para esperar a volta de seu pai, o barbeiro foi informado pelo garoto que nem conhecia aquele homem, ele apenas o havia parado na rua e perguntado se não queria cortar o cabelo de graça…
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