É na juventude que encontramos a coragem de enfrentar os maiores desafios. Levados pelo ideal juvenil, enfrentamos "Moinhos de Ventos" conforme relatou nosso célebre, Cervantes e o nosso Dom Quixote de La Mancha. Conta-se, também, com os apoios de Sancho Pança, logicamente. Um bom cavaleiro necessita de um bom escudeiro. Quem sabe, dando vagas às nossas "loucuras".
Do livro, O homem medíocre, extrai-o texto, afim de esclarecer o que seja ideal: "Quando orientas a proa visionária em direção à uma estrela, e desdobras as asas para atingir tal excelsitude inacessível, ansioso de perfeição rebelde à mediocridade, levas em ti o impulso misterioso de um Udeal. É ascua sabrada, capaz, de te preparar para grandes ações.Cuida-a bem; se a deixares apagar, jamais ela se reacenderá. E se ela morrer em ti, ficarás inerte: fria bazófia humana. Vives apenas devido a essa partícula de sonho que te sobrepõe ao real. Ela é o liz do teu brazão e penacho do teu temperamento".
Desse jeito e sem saber claramente, foi assim que desembarquei na metrópole. E ainda hoje verte em minhas veias o sangue até mais grosso um pouco pela adrenalina provocada pela grande ansiedade daquele momento para a nossa sobrevivência. Não fosse a coragem a que me referi acima, nem a educação vinda do berço, não teria sido capaz de arrumar o abrigo, a cama, a comida e a companhia?
Escudeiros, nossos anjos da guarda, amigos companheiros da mesma dura jornada, acima e ou abaixo de nossa posição social, certamente cumpriram com o seu papel e nos arrumaram aquela oportunidade de trabalho apresentada.
Falta às vezes tino e bom senso para nos recordar com saudades daqueles homens que viram em nós alguém com direitos e nos ofereceram a oportunidade. Claro que em troca, deu-se o nosso serviço, o trabalho, mas mesmo assim sou grato, por que não fossem eles abrir as portas para que eu pudesse entrar, como me arrumaria?
É possível que um texto escrito assim e se publicado encontre no futuro a ressonância qualquer aos nossos jovens de hoje, nossos filhos ou netos, amanhã será outro dia, teremos certamente outras pessoas a procura de um lugar para viver. Esforçamo-nos um pouco para criar oportunidades, sejamos criativos para, através das oportunidades de estudo, de trabalho e de ocupação, possam eles nos agradecer amanhã.
Se isso fizermos, alguém necessitado irá nos agradecer. Talvez alguém nos escreva umas linhas como estas que acabo de fazer: "Muito obrigado a você meu querido e fiel escudeiro, meu Sancho Pança, não fosse você não teria acreditado e posto em prática a minha loucura, loucura de querer viver!".
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