17 de março de 1968.
Algumas vezes na semana, eu e minhas irmãs costumávamos sair após o jantar pra ir ao cinema. Todos adoramos cinema, e esse hábito nos foi passado pelos nossos pais.
Não me lembro mais o filme que fomos assistir, mas me lembro muito bem da data. E como me lembro…
Morávamos no bairro de Santa Cecília e íamos a pé mesmo aos cinemas do centro. Nesse dia fomos ao Cine Olido.
Antes, porém, era praxe tomarmos um cafezinho na galeria Barão. Outro hábito adquirido de meus pais e que se estende até hoje. Não passo sem um bom café.
E lá fomos nós, as mocinhas faceiras, ao cinema. Eu era a caçula e tinha, então, 17 aninhos.
Compramos os ingressos e qual não foi a minha surpresa quando o bilheteiro (enxerido) pediu meu documento (é duro ser baixinha e aparentar pouca idade). O filme era proibido para menores de 18 anos.
Mostrei a carteirinha de estudante e disse toda importante:
– Faço 18 amanhã !
Ele:
– Então não pode entrar!
Minhas irmãs, fulas da vida, tentaram argumentar:
– Mas como? Que diferença faz um dia? Que bobagem, deixe ela entrar!
E ele, mais do que depressa, disse:
– São normas da casa minha senhora, o filme é impróprio para menores de 18!
Bah! Que raiva….
Uma de minhas irmãs, notando que seria impossível entrarmos, voltou comigo pra casa e as outras ficaram.
Bem, mas tem uma coisa! No dia seguinte, com 18 anos feitos, voltei ao cinema e era o mesmo bilheteiro.
Então, estufei o peito e disse:
– Agora posso?