As festas juninas no meu bairro, Vila Mariana, eram maravilhosas. Os vizinhos ou se juntavam e faziam uma festa só ou cada um fazia a sua fogueira na porta de casa. A rua era de terra e, portanto, fogueiras eram muito comuns. A criançada ficava alvoroçada, todas vestidas a caráter, claro, com pouco dinheiro e muitos remendos na roupa e no chapéu, mas a diversão era o que importava.<br><br>Tinha o Bazar do Seu Domingos, o único que fornecia "artilharia" para as crianças e eram bombinhas, biribinhas, fósforos coloridos que giravam, giravam colorindo tudo. E os balões que eram feitos com muito cuidado e disputa entre os meninos, mas que encantava a todos.<br><br>As donas de casa preparavam os "comes" como cuzcuz, pipoca quentinha, bolo de fubá, pinhão, paçoquinha, quentão e batata doce cozida na fogueira, tinha um especial sabor.<br><br>O céu, ah! o céu da minha Vila fica coalhado de balões e estrelas, com aquela garoa fininha, e os nossos olhos se confundiam entre o colorido dos balões e o das estrelas que pintavam nosso céu de junho.<br><br>O cheiro no ar era de fumaça e orvalho que caía na rua de terra, fazendo com que brotasse do chão uma mistura de odores, como se estivéssemos no interior de uma fazenda.<br><br>Enquanto os meninos estavam entretidos com balões e bombinhas, as meninas brincavam de mãe da rua ou queimada. Os mais velhos, com cadeiras na calçada, lembravam os velhos tempos, contavam piadas e de longe eu ouvia as gargalhadas.<br><br>Como diz Fernando Pessoa, quem me dera ter trazido tudo isso na minha algibeira!<br><br>e-mail da autora: [email protected]