Eu havia pensado que já estava me aposentando dos escritos para este site, pois não tinha mais nada pra contar das minhas experiências em São Paulo, e aí pimpa!! A memória me surpreende com mais uma história: e não é que eu já tive uma banca de jornais!!??
No final dos anos 90, eu e minha irmã fizemos sociedade numa banca de jornais, ali na Atilio Piffer, esquina com a Antonio Lopes Marin, no bairro na Casa Verde.
Antes de tudo é bom frisar que nenhuma de nós duas possuía experiência no ramo de comércio. Entretanto não encaramos este empreendimento como um bicho de sete cabeças e assumimos que não ia ser difícil administrar um negócio deste porte, e além de tudo era uma ótima idéia: quem não quer ficar sentada o dia inteiro, lendo revistas, batendo papo, lixando as unhas, sem fazer nada??!!
Esta era a errônea impressão que possuíamos sobre o assunto e já podem antecipar o resultado por subestimarmos o montante de responsabilidade, dedicação e tempo que teríamos de investir nesta empreitada.
No começo, quando da compra da banca de jornais e já com a concessão da prefeitura em mãos, era tudo novidade e estávamos com a corda toda. Contudo, a realidade não demorou a se fazer presente e no mês seguinte descobrimos que a nossa vida social não existia mais: levantávamos às cinco da manhã para abrir a banca às seis, e fechávamos lá pelas sete da noite, totalmente esgotadas. E alem disto tivemos de correr atrás da clientela, pois estávamos muito próximas a outras duas bancas e a concorrência provou ser grande.
Foi aí que começamos a reparar em como São Paulo é bem servida de bancas de jornais. Ali na Casa Verde, num raio de um quilômetro, tem umas cinco bancas. Entretanto, não nos deixamos abater e começamos a promover a nossa banquinha.
Aos domingos inventamos de entregar jornais em domicílio, para clientes interessados, então saía eu como uma desesperada correndo pelo bairro fazendo entregas. Fizemos sorteios e promoções do tipo compre quatro revistas e ganhe uma palavra cruzada!!! Enfim, tentamos "quase de tudo" para angariar clientes e economizar alguns tostões, o que não deu muito certo.
Por motivos óbvios, optamos por não vender cigarros, isqueiros e outros itens relacionados, o que nos custou vários bons clientes. Assim, estes preferiam ir fazer suas compras nas "outras" bancas que lhe ofereciam recursos para saciar os seus vícios.
Lá pelo sexto mês de "trabalho" já se notava a nossa falta de ânimo, e lógico que se refletia no nosso negócio, o qual não se auto-administrava e, por conseqüência, estava fadado ao fracasso.
Lá pelo oitavo mês, o cansaço já estava num nível insuportável e, num ato de desespero, decidimos vender este que era pequeno no tamanho, mas enorme pras nossas humildes expectativas. E assim, no mês seguinte, posso dizer que quase doamos a banca, pois arcamos com um prejuízo enorme por causa da pressa de passar pra frente o que pra nós era um enorme "abacaxi".
Foram os nove meses mais longos das nossas vidas. Esta foi uma gestação ao contrário, pois não víamos a hora de nos desfazer do nosso rebento e ganharmos a nossa liberdade. Foi um alívio total.
Dou mão à palmatória a todos os jornaleiros de São Paulo, pois a dedicação tem de ser total, de domingo a domingo, faça chuva ou sol, feriado e dia de santos, desde antes do sol nascer até o poente.
É, tem de ter dom pra certas coisas. A propósito, não me lembro por que cargas d'água a gente decidiu comprar uma banca de jornal naquela época.
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