Exames finais

Trabalho há 14 anos como inspetora de alunos na rede municipal de São Paulo e na última semana de novembro foi realizada a Prova São Paulo nas escolas para a avaliação do ensino. Fiquei muito triste por saber que os alunos da minha escola foram muito bem nas provas.

Então me lembrei da minha época de aluna, comecei no final dos anos 60, estudei até 1974 e parei para trabalhar aos 14 anos. Depois voltei a estudar novamente e conclui o ensino médio depois dos 40 anos, modéstia a parte, como a melhor aluna da classe.

Mas, voltando ao título da história, essa era a época dos exames finais e nos matávamos de tanto estudar. Eram até duas provas por dia e minha querida mãe que não tinha estudo nenhum me fazia estudar muito, em sua grande sabedoria ela dizia:
– “Estuda para você poder passar de ano, para ser alguém na vida”.

E hoje, mesmo não tendo ainda feito uma faculdade, digo ainda porque pretendo ser uma historiadora (pois amo história) e sei que ela tem muito orgulho de mim. Agora fico pensando nos nossos alunos que não têm interesse nenhum em estudar, não se preocupam com o futuro e aparentemente nada tem valor para eles.

Na rede pública tudo é dado: uniformes, material escolar, livros, merenda (duas refeições por dia), passeios culturais… Minha escola é muito bem equipada em termos de aparatos eletrônicos como aparelhos de televisão e som. Até festa de aniversários eles fazem, pois temos o “projeto aniversário”, que a cada três meses é realizada uma festa para os aniversariantes dos 3 meses anteriores, onde servimos bolos e tem também baile, mas infelizmente eles só querem ouvir o famigerado “funk”.

Eu sempre que tenho oportunidade digo a eles como era diferente na minha época e sabem o que eles dizem? Que isso é coisa de velha, que as avós deles é que falam isso, porque muitos deles realmente são criados pelas avós mesmo.

Ai me vem uma dúvida será que ao nos rebelarmos com a dura educação que recebemos de nossos pais, falo no contesto geral, pois não tive nenhum trauma com a severidade dos meus pais. Criei minha filha do mesmo modo e ela tem feito o mesmo com meu neto e também me agradece pela educação recebida. Mas eu sei que muitos da minha idade foram muito além do que deviam na juventude e hoje estão pagando um preço muito alto por essa desobediência dos padrões da moral familiar, dando muita liberdade a seus filhos. Os filhos adolescentes têm mais liberdade, gerando mais filhos ainda. Conheço mulheres que aos 50 anos já são bisavós.

Perdão! Eu comecei falando dos exames de final de ano e acabei fazendo um discurso de indignação, mas vendo nossos alunos sem nenhuma perspectiva para o futuro, meninas adolescentes grávidas de meninos também adolescentes. Fico preocupada quando penso no futuro desta cidade e do país. Nós lutamos por um país livre, sem a ditadura militar onde nossa liberdade pudesse construir um mundo melhor para os nossos filhos. Será que conseguimos?

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