Ano 1954.
A escola pública era referência.
Ginásio Estadual Alexandre de Gusmão. Rua Bom Pastor, Ipiranga.
Exame de admissão ao ginásio. Muita concorrência, poucas vagas.
Primeiro o exame de Português, escrito… Professora Da. Berta, e era eliminatório. Muitos ficaram no caminho; outros prosseguiam.
Fui um dos privilegiados consegui ir para a segunda fase, confesso devo ter tido sorte, pois não imaginava.
Outras provas escritas: história, geografia, matemática.
Depois as provas orais. O professor ia chamando os alunos por ordem alfabética e de acordo com o ponto sorteado pelo aluno dentro de um saquinho com pedrinhas numeradas. As perguntas sobre determinado assunto e a nota pelo desempenho.
Prova oral de Geografia… Professor Ferrari, um senhor de óculos, um tanto calvo, com voz pausada e calmo. Ao sentar-me, temeroso em sua frente, a primeira pergunta: “Você é parente do Peron (Juan Domingues Peron, na época presidente da Argentina)?” Respondi que não. Ele perguntou se eu era descendente de argentino ou espanhol. Tornei negar e disse ser descendente de italianos… Do Veneto. Mais questões : Veneto? O que é?…
Meu pai sempre nos contava a história de seus pais, imigrantes italianos, que fugiram da fome, na Itália querida, e dava detalhes de locais e fatos vividos por eles. Eu criança, sempre as ouvia e guardava os detalhes que o simples pedreiro, mas atento a vida e a família, conseguia nos passar.
Voltando ao exame oral:
_ Veneto? Onde é?
_ Norte da Itália….Mar Adriático….Rio Pó…Veneza… Mantua ou Mantôva… Treviso… Pádua ou Pádova (A nona tinha a imagem de Santo Antônio de Pádua, sempre adornada com pedaços de folhas de palmeiras, ou melhor, coqueiros).
O Professor Ferrari, permaneceu alguns segundos em silêncio e eu estendi a mão em direção ao saquinho das pedras numeradas e ele detendo-me disse:
_ Vai… Você já fez a prova.
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