Nos idos anos 60, eu tinha um grupo de amigos, cinco efetivos e de três a quatro agregados. A gente fuçava tudo; íamos a todos os cantos e lugares desta Paulicéia, cada buraco que dava medo.
Um belo dia, ouvimos que, pelo lado de Diadema, mais precisamente Piraporinha, havia um templo japonês dedicado a uma deusa, em que o povo, comandado por uma sacerdote, andava sobre brasas. Dito e feito, lá fomos nós ver o danado do braseiro.
O templo era no meio de um matagal imenso, estilo japonês, todo de madeira, com um amplo terreno em volta. Para chegar ao local foi uma batalha: subimos no ônibus até Diadema e o resto do percurso foi no meio do mato.
Bom, chegamos ao local e estava havendo um culto, tudo em japonês, com sinos, chocalhos e paramentos. Tivemos que assistir, visto que só após do culto ia ter o braseiro. Estávamos inquietos, não vendo a hora de terminar a reza.
Quando a dita cuja terminou, fomos ao terreno que circundava o templo, onde já estava aceso o braseiro. Tinha mais ou menos uns cinco metros de comprimento por uns quatro de largura; o bicho estava pegando fogo.
O povo, todo em fila para passar pelo braseiro, e a gente lá também esperando a vez. O sacerdote foi o primeiro. Passou devagarinho, rezando uma ladainha, mas o povo passava correndo – e eu, desconfiado que nem caipira de olho no evento. Até que chegou a nossa vez e eu fui o primeiro. Passei ligeiro, sem correr e, por incrível que pareça, sem nem me chamuscar.
Foi muito divertido e até hoje me lembro como doce recordação.
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