Eu tinha apenas sete anos quando minha família se mudou da Mooca para a Vila Olímpia. Era o ano de 1955. Disseram que minha avó era louca por sair da "civilização" para morar "naquele fim de mundo onde só tinha mato"!!! Abençoada vovó de visão!
Me lembro até hoje (memória boa a minha hein!!) do dia em que fomos conhecer a casa nova, um sobradinho numa vila no número 499 da rua Amélia, hoje Alceu de Campos Rodrigues (mas que já foi Ministro Jesuíno Cardoso). Era domingo de carnaval. Eu e minha irmã estávamos fantasiadas de holandesas… Nessa casa, que possuímos até hoje, passamos, com certeza, os melhores anos de nossas vidas. E vimos o bairro crescer, se desenvolver, se modernizar e se tornar o que é hoje, valorizadíssimo. As casinhas modestas de "nossa" vila são hoje disputadas "a tapa" e vendidas a preços astronômicos.
Mas naquela época a Rua Amélia era de terra. Na frente da vila só havia uma grande chácara que atravessávamos para ir à escola. Na esquina com a "Travessa Amélia" havia a farmácia do Jorge, e na esquina com a João Cachoeira tinha o armazém do Sr. João, onde a gente comprava doces de abóbora com anelzinho dentro e pedia pra marcar na caderneta…
Sorvete só tinha na Padaria Alaska, que ficava na esquina da Clodomiro Amazonas, que naquele tempo se chamava Rua da Ponte. E era aquele, da Kibon, no copinho de papelão com aquela tampinha que a gente lambia quando tirava!!
E no lugar onde é hoje o Supermercado Pão de Açúcar, que já foi o Barateiro e antes era apenas o Mercadinho, havia um grande terreno baldio onde todo o ano se instalava um parque de diversões, que fazia nossa alegria. E era grande! Tinha Trem Fantasma, Roda Gigante e Alto Falante!!! Só que o Trem Fantasma vivia quebrando. Quantas vezes tive de sair a pé de dentro dele!!!
Também, é claro, estudei no Aristides de Castro e no Costa Manso, e tenho muita saudade dos bailinhos pró-formatura que eram promovidos, de preferência no salão da escola de dança da Madame Poços Leitão, que ficava na Joaquim Floriano. Quanta música do Ray Conniff dancei por lá…
E quantos doces comi na Confeitaria Diana e na Confeitaria Viena, que começou na João Cachoeira e depois se mudou para a Clodomiro Amazonas…
Tenho muito o que lembrar… e isso foi só o começo!!!
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