Em 1962, precisamente no mês de maio, aos nove anos de idade, foi meu primeiro contato com a capital. Meu pai, já falecido, "seo" Antonio, levou-me a conhecer aquela que seria futuramente a maior cidade da América Latina e uma das maiores do mundo.
Pegamos o expressinho às 08h00, de Sabaúna, distrito de Mogi das Cruzes, e rumamos até a estação de Roosevelt, hoje Braz, num vagão de 2ª classe, com bancos duros de madeira. A viagem durou umas duas horas, pois o trem era puxado por uma maria fumaça e parava para resfriar.
Primeira gafe.
Ao chegarmos fomos tomar um café, pois estava frio demais. Em casa costuma beber café nas canecas de alumínio e morno. Ao primeiro gole tostei a língua de tão quente o "pretinho". Senti vergonha, mas aguentei os quase 70 graus de calor queimando minha goela.
Dali saímos para o Largo da Concórdia para efetuarmos algumas compras. Fiquei maravilhado com que via. Porém algo me chamou a atenção. Um trenzinho enroscado num emaranhado de fios. Nunca tinha visto igual. As pessoas saltavam do bicho em movimento. Fiquei hipnotizado. Era o bonde do Largo da Concórdia. Meu pai caminhava muito rápido, coisa de roceiro, e quando dei por mim não mais o vi. Comecei a chorar por estar num lugar desconhecido e sem meu guia. Fui resgatado pelo juizado de menores e meu pai me encontrou seis horas depois.
Apesar do desespero foi minha primeira experiência dentro desse mundão que é São Paulo.
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