Comecei a trabalhar de office-boy em 1959, no centro de São Paulo, mais precisamente na Rua Barão de Itapetininga. Minha condução era o trem da Estrada de Ferro Santos a Jundiaí.
Meu pai comprava-me um passe mensal (um cartão numerado de 01 a 31) e o fiscal da estação ou do trem picotava o dia que estava sendo usado, assim não se podia usar mais de duas vezes do dia (ida e volta).
Os serviços de transportes pelo trem eram muito melhores do que os de hoje. Havia organização e principalmente respeito pelos horários. Lembro-me que embarcava para o trabalho na sub-Estação Tietê (uma estaçãozinha meia-boca) existente entre as estações da Lapa e Pirituba. O horário era impreterivelmente às 6h36min da manhã.
No retorno do trabalho o embarque dava-se na Estação da Luz, exatamente às 6h12min da tarde. Podia-se acertar o relógio pelos horários dos trens. Não existiam pingentes, portas abertas, vidros quebrados, assaltos, bandidos como hoje. Quantas saudades daquele tempo.
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