No dia sete de fevereiro do ano de 1960, eu completei 18 anos de idade, ou seja, iniciava-se para mim a maioridade. Agora eu podia procurar emprego para trabalhar e perceber salário como gente grande, como dizem hoje, "de maior".
O Germano Zink, meu tio, alemão casado com minha tia Esther, levou-me para fazer entrevista com o Sr. Manovisk, gerente na Volkswagen do Brasil em São Bernardo do Campo. Fui aprovado para trabalhar como conferente no almoxarifado geral, na ala I. Lá competia a mim a conferência das peças recebidas, a sua arrumação nas devidas áreas, sua preparação para envio à linha de montagem, quando requisitadas pelos terminers responsáveis.
No piso do almoxarifado era de minha responsabilidade mantê-lo limpo, varrendo-o diariamente após esparramar nele uma pasta feita de serragem misturada com água o que evitava o levante de poeira e dava ao piso uma agradável sensação de limpeza.
Decorrido o prazo da experiência, três meses, fui promovido a terminer; competiria a mim o abastecimento da pré-montagem onde todos os conjuntos eram pré-montados para posterior montagem nos veículos, tanto nos PKVs (sedans) quanto nas Kombis.
Durante o período em que eu exercia esta função, eu entrava em sérico às 6h da manhã e para tal eu saia de casa as 5h e para tanto às 4h eu já estava levantado para chegar antes no ponto para pegar o ônibus. Viajava comigo o Edson, primeiro deficiente visual admitido pela Volkswagen.
Eu estava nessa função quando, a chegar ao meu posto numa segunda-feira, fui informado da morte no fim de semana de um funcionário de Compras em acidente. Candidatei-me a substituí-lo, fui aceito e transferido para o departamento que fiquei até meu desligamento 30 anos depois em 31 de dezembro de 1990. O Departamento de Compras Produtivas.
Passaram-se 30 anos e 9 meses desde a minha admissão naquele 1º de março de 1960, quando fui admitido como um funcionário sem qualificação especial e agora era um advogado que era um categorizado supervisor de suprimento.
Este foi o meu primeiro e único empregador, a quem eu respeito muito, o estimo, o respeito, e ao qual pelo trabalho que lhe vendi pagou-me sem omissão de nem um dia, permitindo-me ter e dar a minha família o bom e o melhor, enquanto seu servidor.
Muitos colegas de trabalho eu tive nestes anos todos. O meu ditado muitas vezes apregoado durante o horário de trabalho foi: “Eu faço o que eu gosto na firma que eu amo”. Eu estava errado?
Fizemos há meses atrás um almoço de confraternização para reunir todos aqueles que solidariamente fizeram a tão falada indústria automobilística brasileira nascer. Foram momentos de felicidade pelos presentes ali e de tristeza pelos ausentes, por haverem partido na última viagem.
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