Estadão, meu jornal preferido

Nos anos já distantes, aos domingos, era sagrado comprar o Estadão. Ia à banca bem cedinho para não ficar sem o meu jornal. E ia feliz para o pensionato, pensando:
 
– Hoje tenho muito o que ler.
 
E, com uma tesoura do lado, ia vendo os anúncios de vaga de digitação.
 
Era o “boom”, havia explodido esse emprego que podia ser de manhã, de tarde noite ou madrugada. Você tinha a escolher. Bastava ser rápida no teclado alfanumérico que o serviço estava garantido.
 
E a seleção não requeria, como o de secretárias, roupa chique ou coisa parecida. E, tanto rapazes como moças, precisando trabalhar tinha vagas a escolher.
 
Às vezes, a distância era o empecilho, pois dependendo do horário não havia condução para voltar para casa. E, no pensionato, havia uma amiga, bem mais velha, a Regina, que me arrumou uma vaga no Comind.
 
Sempre eu fazia os testes, mas, como meu pai dizia:
 
– É melhor um passarinho na mão do que dois voando –  acabava ficando quieta no lugar.
 
Mas comprar o Estadão já era um vício, e o bom da história é que acabava lendo o jornal e aproveitando bem o domingo, pois no pensionato não podia voltar fora de hora, no máximo até as 22h, senão ficava na rua (risos).
 
E digo, brincando, sou a vovó da Burrows, Olivetti e IBM.
 
E como a Regina dizia:
 
– Isso vai ser coisa de futuro.
 
Hoje tem internet, e jornal poucos leem. A rapidez com que as notícias chegam é espantosa, principalmente se for notícia ruim.
 
“Ah”! E no frio servia para incrementar o cobertor (ver “Meu cobertor xadrez”, um texto escrito por mim).