Ela sempre foi uma referência para todos os moradores da Parada XV e também para todos os moradores dos arredores da rede ferroviária. A Parada XV tinha a fama de ser um lugar perigoso, era um bairro que todos temiam, quando o trem parava na estação muitas vezes ouvia-se, entre comentários rápidos, frases como: <br>- é aqui a Parada XV,<br> – este lugar é perigoso.
Que nada o XV sempre foi um lugar maravilhoso.<br><br>Claro que na estação tinham ocorrências e alguns roubos no trem, mas eram coisas comuns em todos os trechos da ferrovia, não só na Parada XV. Brigas, isso tinha muito, também tinha pouco espaço nos vagões, homem e mulher iam juntos em um vai e vem constante, às vezes tinha um pouco de safadeza dos ”marmanjos” que acabava dando em briga, outras vezes era ciúmes de algum namorado que achava que o aperto sobre sua namorada estava demais e por isso acontecia a briga, só que tudo se resolvia na pancada e pronto cada um ia para o seu lado, tudo acabava na hora em que o trem abria suas portas e sempre apareciam os Policiais Ferroviários (que todos teimavam em chamar de policia federal). <br><br>Eu utilizei por muito tempo o trem das7h 15 para ir trabalhar, e voltava no das 18h 25 (verdadeiro “osso”, trem cheio não dava nem para respirar), se perdia o das 18h 25 pegava o trem Liturina que saia às 18h 45, era bem mais rápido, era “tipo” um trem expresso que saia do Brás e não parava em nenhuma estação até chegar à Itaquera, era muito rápido e muitos bancários, que trabalhavam na Rua Boa Vista e na Rua XV de Novembro no Centro, utilizavam este trem, era uma “beleza”, enchia de garotas maravilhosas e sempre rolava um clima, uns olhares, etc.<br> <br>Mas este trem Liturina foi extinto e ficaram somente os trens comuns (por sinal são mais baratos, sinto muita saudades da antiga estação da Parada xv, parte da minha adolescência, anos 1974 até 1981), muitas foram as idas nestes trens para Guaiazes para levar algumas garotas embora, uma inclusive morava próxima a Chácara Paroquial, na época era só mato, onde hoje é a Rua Tupi em Guaianazes (hoje é um movimento terrível), muitas esticadas até Ferraz de Vasconcelos para frequentar o salão Safra (“um barato”).<br><br> Bem o trem sempre foi muito presente em minha vida, nas aventuras de minha mocidade como: o dia em que fomos tomar banho na lagoa em Aracaré – Linha Variante, íamos sempre e fazíamos um verdadeiro tur. Pegávamos o trem no XV para Calmon Viana, lá pegávamos o trem que ia pela linha Variante descíamos em Aracaré antes de Itaquaquecetuba, e passávamos horas nadando nas inúmeras lagoas dali. <br><br>Inclusive lá ficou a vida de um grande colega de escola que morreu afogado inexplicavelmente, pois ele era o que melhor nadava entre todos nós, ele tinha 15 anos. Sempre que passo por Aracaré olho em direção onde ficava a trilha que saia do lado da estação, era como uma pequena “picada” no meio do mato, ali tivemos momentos bons. Ficávamos com muita fome e comprávamos amendoim no trem para comermos (isto é quando alguém tinha alguma moeda (não pagávamos trem, nós “varávamos” a estação).<br><br>Bem o tempo se foi, a Estação também, só uma coisa não vai embora nunca: as imagens e lembranças que tenho guardadas na memória, o barzinho da estação que vendia um pastel delicioso (todo engordurado, mas que era muito bom), a corrida se equilibrando sobre os trilhos para não cair na caixa de água, quando “varávamos” a estação e o trem vinha chegando , sob o olhar do "Policial Federal", que não podia fazer nada, pois corríamos e “embocávamos” no vagão lotado, era como vencer uma maratona, poxa como era bom.<br><br><br>[email protected]