Esperando a Copa

Na Praça Cianorte (ou Cosmorama?) tinha um restaurante, que talvez esteja lá até hoje, não sei, chamado Restaurante do Pirilo. Quando me mudei para Vila Maria, em 1976, um colega de trabalho me disse que aquele restaurante era do Silvio Pirilo, antigo jogador de futebol que em 1974 era treinador de futebol e, salvo engano, treinava o time "deles".

Penso que não era, mas essa possibilidade sempre me inibiu e eu nunca entrei lá, pois se ficasse comprovado que não era, penso que eu ficaria muito decepcionado. Não por ser fã ardoroso do velho Pirilo, ou coisa que o valha, mas porque deixaria de acreditar nesse meu colega que, até onde eu sabia, era o que antigamente se chamava "de palavra".

Passados uns tempos, este mesmo colega me chamou para ir com ele à lotérica ‘Biancalana’, na Guilherme Cotching e eu, que nunca joguei na loteria, fui. Ao entrar, nos deparamos na porta com um cara que saía, "é o César Maluco", disse ele. Eu olhei e vi que realmente parecia, mas será? Acho que "pensei": este "será" em voz alta e uma garota, que atendia na Lotérica, disse: – "É ele sim, o César, que vem sempre aqui".

Na hora rememorei o caso do Pirilo. Olhei para o baixinho, meu amigo, que era muito baixinho, mas jogava uma bola redonda, seja nos campeonatos ‘varzeanos’ disputados no campo da ‘Frum’, no desafio ao galo, ou nos longínquos campos que hoje estão às margens da Airton Senna. Então pensei, este carinha sabe o que diz, vai ver o Restaurante do Pirilo é do Pirilo mesmo. Não era! Não fui lá comprovar, mas fui "bem" informado que não era.

E aí eu soube que as pessoas são o que são e que considerá-las perfeitas demais é uma coisa meio perigosa. Continuamos amigos por muito tempo. A cada novidade que ele me contava, quase sempre ligada a futebol, que neste assunto ele era cobra, eu ouvia com prazer, mas com um pé atrás. De vez em quando checava, rebatia com cuidado para não magoá-lo, mas não dava grande importância. Mais ou menos como a essas coisas que certos "especialistas" em futebol falam hoje, do tipo "eu não torço pra ninguém" ou "eu sou torcedor da Ponte Preta", "do Pirassununga", "do MAC".

Tudo bobagem de quem pensa que o torcedor é bobo. Se o cara gosta tanto de futebol, que até se tornou jornalista esportivo profissional, como é que ele tem a cara de pau de dizer que não torce pra nenhum time grande? Mas como isso, essa preferência ou não desses profissionais, não tem a menor importância, não vai alterar absolutamente nada, vamos em frente, que futebol é muito bom e a copa vem aí!