Copa do Mundo de 74

Copa de 74 – um período complicado que combinava os anos de chumbo do governo Médici com o milagre econômico. Restou um país endividado e ao mesmo tempo envergonhado por ter perdido a copa. Nem a interferência do presidente indicando o Dario ajudou.

Muita gente decepcionada com o orgulho ferido pela derrota para a Holanda e por um quarto lugar, ao lado de outros que aplaudiam não se ter podido fazer uso político da seleção. O futebol, como mobilizador das massas, era incorporado pela política governamental vigente, a ponto mesmo da comissão técnica e diretoria da “CBD” (atual CBF – Confederação Brasileira de Futebol) serem ocupadas por militares.

Uma onda de patriotismo baseada no futebol corre o país. Dia do jogo decisivo Brasil e Holanda, como sempre tudo parado na hora do jogo e olhos grudados na TV.

Na colônia de férias da Associação de Classe não foi diferente, a sala de refeições virou auditório e os garçons se encarregaram de administrar um bolão que contou com mais de 50 pessoas.

As apostas, que refletiam a euforia na certeza da vitória do Brasil, iam dos ponderados 1 a 0 para os escandalosos 6 a 1 para o Brasil, o dínamo invencível.

Como estava muito brava com o governo e o país, achei que o Brasil não deveria ganhar, fui a única que marquei derrota do Brasil por 2 a 0. Antes do jogo fui mesmo questionada pelo meu palpite, pela falta de patriotismo.
Mas sem explicar meus motivos advindos do “AI5”, mantive minha aposta e o jogo.

Fui a única ganhadora de uma bela quantia que deu para pagar a estadia da família na colônia de férias e ainda sobrou, e muito. Senti-me vingada! De um lado vi a decepção de todo um povo, mas de outro vibrei pelo desmonte do uso político que o ditador brasileiro de plantão pretendia fazer, caso o Brasil ganhasse a copa.