Esperança

Certa feita ouviram, às margens de um rio chamado “Ipiranga”, um brado forte e retumbante, que vinha de um povo heróico. Naquele dia brilhou o sol com raios fúlgidos, no céu dessa Pátria, que apelidaram de “Sol da Liberdade”. Falaram também que o valor desse grito foi conquistado com braço forte, e que aquele povo altaneiro, desafiava com a própria vida, qualquer ameaça àquela nova liberdade conquistada. Esta era, realmente, uma pátria amada e idolatrada! Viu-se, naquele dia, um sonho intenso e um raio vívido descer à terra e, à noite, num céu límpido e risonho, resplandecia um enorme Cruzeiro de estrelas. E, com tudo isso, esperava-se, que esse povo conquistasse a liberdade sonhada com braço forte, ainda que o desafio fosse sua própria morte. Nesse cenário que mais parecia um esplêndido berço, jazia um gigante colossal, que mais parecia ser uma enorme flor, cuja beleza reluzente iluminava todo o céu de um continente recém descoberto. Seus campos pareciam ter tantas flores que viviam sorrindo. Havia tanta vida naqueles bosques, quanto amores nas vidas daquelas pessoas. Muitos anos se passaram e o berço que era esplêndido deixou ser, os verdes se acinzentaram como restos de queimadas. O reluzente dourado do ouro sob o solo sagrado foi-se embora, e o brilhante Cruzeiro lá do céu escondeu-se atrás da poluição. De tudo, restou a inocente alegria daquele povo que, empobrecido cada vez mais, guarda a esperança de ver seu hino virar verdade um dia.

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