Olhando a mesa antiga, encostada na parede da cozinha, fez-me lembrar da época de nossa infância longínqua, quando meu amado pai trabalhava nas indústrias Matarazzo, no período da noite. Tempos difíceis nos idos de 1960, mas para nós, crianças, tudo era motivo para brincadeira e diversão.
No verão, durante o dia, nossa mãe nos deixava brincar no quintal da frente de casa e na calçada. Assim, meu paizinho poderia dormir sossegado, depois de uma noite inteira de muito trabalho na Matarazzo.
Nos tempos de inverno, quando ficávamos confinados em casa por conta do frio, minha mãe dava um jeito de ficarmos quietos para meu pai dormir. Enquanto passava toda a roupa lavada, improvisava uma cama, embaixo da mesa, bem aconchegante e quentinha e nos colocava para dormir o soninho da tarde. Assim, ficávamos quietos e papai podia descansar, sem nossa algazarra infantil.
Nossa casa era muito simples, lá na Rua Umuarama, na Vila Prudente. Nessa ocasião as ruas não eram asfaltadas. Ainda éramos em 03 irmãos, A pequena ainda não havia nascido. Nossa mãe nos ajeitava os três, na cama improvisada, sob cobertores. Até conciliarmos o sono, trocávamos algumas conversas entre nós e com minha mãe, até dormirmos. Ao final da tarde, quando acordávamos, mamãe já havia passado toda a roupa e nosso pai também despertava para tomar banho, fazer uma refeição e sair para trabalhar novamente.
Saudade de meu amado pai, que já está lá na espiritualidade. Muita paz!
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