Corria o ano de 1882. São Paulo já absorvia os avanços tecnológicos originários da Europa. Numa época em que a matéria prima usada nas edificações das casas se resumia à taipa, tijolos, ferragens grosseiras e mal acabadas, esse avanço representava mais um passo para o crescimento da cidade. Com efeito: novos bairros nem bem se formavam totalmente e suntuosos palacetes já surgiam.<br><br>É que a camada mais rica da sociedade paulistana tinha facilidade para importar da Europa grande parte do material que serviria para construir suas mansões. Deixava para trás o Centro Velho em que habitava e mudava-se para a chamada "ala nobre" ou "bairro dos cafeicultores", tão logo terminadas as obras.<br><br>Elias Antonio Pacheco Chaves era um desses ricaços. Sua mansão, localizada no bairro dos Campos Elíseos, demorou quase uma década (de 1890 a 1899) para ser totalmente construída.<br>Conhecido como pessoa de importância fundamental na economia de São Paulo, pois além de cunhado do Conselheiro Antonio Prado (político e cafeicultor), era também, seu sócio na Cia. Prado Chaves, empresa que liderava a exportação do café e o setor imobiliário.<br><br>Extremamente sofisticado, Elias Chaves viajava com freqüência para a Europa. Com seu cunhado Antonio Prado e sua sogra, Dona Veridiana, visitava famosos antiquários e vários castelos franceses, dentre os quais, o Castelo de Écouen, em estilo renascentista, datado dos anos de 1500. Nele, espelhou o projeto de seu palacete elaborado pelo arquiteto alemão Matheus Heusller, que vivia no Brasil há alguns anos. Inspirado nas informações recebidas e no seu próprio conhecimento fez o projeto na Europa a fim de entregá-lo de acordo com os moldes do Castelo de Écouen.<br><br>Voltando ao Brasil, o arquiteto trouxe lustres de cristal Bacará, maçanetas de porcelana de Sèvres e vitrais franceses. A decoração interna do palacete veio da Itália: espelhos do mais puro cristal veneziano e vários elementos de terracota coloridos. Dos Estados Unidos vieram todas as ferragens de bronze que foram utilizadas nas portas e janelas de carvalho francês. O telhado, puro pinho de Riga, foi coberto por telhas de ardósia importada.<br><br>João Grundt, outro alemão que aqui trabalhava como mestre na construção do Viaduto do Chá, foi escolhido para executar a obra que, por motivos desconhecidos, ficou paralisada durante alguns anos. Após esse tempo, os trabalhos foram definitivamente retomados, desta vez, sob a direção do engenheiro Herman Von Puttkamer, também natural da Alemanha e do decorador Cláudio Rossi.<br><br>Uma vez concluída, a mansão passou a ser chamada de "Palacete Elias Chaves". Talvez porque seus portões e vitrais das portas e janelas continham as iniciais "EC". Detalhe que ganhou relevância quando, oito anos após a morte de Elias Chaves, em 1907, sua família transferiu a propriedade (que fora registrada no nome da Cia. Prado Chaves) para o governo do Estado. O que era pormenor passou a ser problema, já que as iniciais, de bronze maciço, incrustadas nos portões e gravadas nos vitrais, não poderiam ser retiradas sem lhes causar irreparáveis danos. O dilema perdurou até que foi encontrada uma solução perfeita: providencialmente, alguém notou que quando os portões se fechavam, as iniciais se entrelaçavam de tal sorte que tanto poderia sugerir "EC", quanto "CE". O mesmo acontecia quando se observavam os vitrais.<br>Assim é que o Palacete Elias Chaves é conhecido até hoje, como Palácio dos Campos Elíseos.<br><br>E-mail: [email protected]