Eleições legais

Eu deveria ter 10 ou 12 anos quando o pai da minha melhor amiga tornou-se "Comandante da Guarda Civil do Estado de São Paulo”. Ah! Como era bom.

Tudo com muita simplicidade e por sorte da nossa amizade acabei tendo muitas regalias: como estudar no colégio Liceu Pasteur com bolsa, ir aos cinemas na Avenida São João (Cine Metrô) com o opala preto com placas brancas e chofer e, ao chegar ao cinema, éramos recebidas com guardas fardados com roupas de gala, com plumas no alto dos seus capacetes e juntamente com suas espadas em punho, poder encomendar pela cooperativa da guarda o meu amado leite condensado (que até hoje faço uso dele todos os dias no meu leite), pois naquela época já estávamos com uma política difícil, etc. O nome desse fabuloso pai e amigo era Benone Simões.

Sua filha chamava-se Izabel e também estudava no Liceu. Morávamos em uma vila simples de 12 casas chamada Rua Castanheiro, no bairro da Vila Clementino.

A coisa mais engraçada e ver um governador de São Paulo chegar naquela vila tão simples com tantas honrarias. Para começar ele era gordo e a porta de entrada das casas era bem pequena, o coitado tinha que passar de lado com toda aquela confusão.

Ao lado da minha casa existia, e ainda existe, a Escola SENAI, onde funcionava um colégio eleitoral.

No dia da eleição era uma correria. Vocês nem imaginam o motivo. Toda a criançada, com sacolas nas mãos, fazia competições para ver quem conseguia pegar mais folhetos? Erraram… Naquela época era para pegar vassourinhas douradas, que eram do candidato Janio Quadros, que morava perto da empresa “Gessy Lever”, em um modesto sobradinho (que lá está até hoje), e o mapa de São Paulo, do candidato Ademar de Barros.

Isso era uma eleição legal. As crianças brincavam sem perigo e com muita ingenuidade.Tudo não passava de boas brincadeiras.

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