Eu era pequena mais me lembro da Segunda Guerra Mundial… Lembro do blecaute, quando os guardas passava e gritavam “ apaga essa luz, ai!”, e eu tremia de medo.
O pão e o macarrão eram tão pretos q pareciam de areia… Minha mãe e irmãs ficavam na fila, a noite toda para pegar um filão. Minha mãe ia à padaria Vera Cruz, na Rua Bom Pastor, e minha Irma ia na padaria da Dona Tina, na Rua Silva Bueno.
Muitos produtos sumiram da praça… A gente tomava café preto com pão Gundo, quando tinha, se não era polenta. Minha irmã, de apanhar friagem na fila do pão, teve tuberculose… Nosso desespero foi grande, além da conta da farmácia crescer cada vez mais.
Meu nono ganhava umas moedas das minhas tias para comprar fumo para o cachimbo e, muitas vezes, deixava de fumar para comprar frutas para elas.
Descobriram a penicilina e o Dr. Amaral já não cobrava a consulta de pena; ele fez a receita e disse:
– “Não sei se o senhor vai poder comprar, é um remédio caro…”
Seu Dario, o farmacêutico do bairro, disse:
– “Eu compro e o senhor me paga como puder”
Ele ainda se propôs a dormir em casa porque a injeção era de 6 em 6h.
Graças a Deus ela ficou curada! A tristeza veio logo em seguida, quando seu noivo morreu em combate…
Graças a Deus a união e o amor da família venceram esta etapa!
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