Os mais idosos hão de se lembrar que nos anos 70, acho que entre 71 e 73 – Lopomo, consulte seus arquivos -, São Paulo teve um prefeito nomeado chamado Figueiredo Ferraz, engenheiro brilhante e respeitado, que, corajosamente, disse que "São Paulo precisava parar de crescer". Foi um escândalo. Os militares, donos do poder, não gostaram e o governador Laudo Natel, também nomeado, muito menos, e, imediatamente, o demitiu.
São Paulo não parou. Continuou crescendo. Os problemas se avolumaram e se multiplicaram, dentre outros fatores pela grande migração interna. Favelas e loteamentos clandestinos proliferaram e a falta de infraestrutura básica – água, luz, esgoto -, transporte coletivo deficiente, falta de escolas e hospitais transformaram a megalópole numa cidade com imensos problemas administrativos, verdadeiros desafios aos governantes. Vila Madalena, Pinheiros, os Jardins, Moema, Perdizes, Vila Mariana, Brooklin e tantos outros bairros oferecem boa qualidade de vida a seus moradores e têm existência própria. Seus habitantes vivem sem sobressaltos, angústias ou carências relevantes; mas ainda há, inegavelmente, uma parcela da população que não usufrui das necessidades primárias para uma vida digna.
Confesso que nunca parei para pensar como o então prefeito conseguiria "frear" o desenvolvimento de nossa cidade. Suas palavras de que a capital paulistana se transformaria em verdadeiro caos, caso medidas urgentes não fossem tomadas, não encontraram eco e suas profecias se confirmaram, pelo menos parcialmente. E São Paulo continua crescendo, se expandindo, colocando-se entre as maiores metrópoles do mundo. Hoje, caros companheiros do São Paulo Minha Cidade, já não sei se isso é motivo de orgulho ou de preocupação.
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