Duas horas de almoço no centro – Só alegria

Nos anos 70, trabalhando no centro da cidade de São Paulo – na Galeria Califórnia -, tínhamos duas horas de almoço, que era só felicidade. Alguns iam almoçar no Gato que Ri, Almanara, Galetos, Um, Dois, Feijão com Arroz, Salada Record. Mas a maior parte ficava na região da Rua 24 de Maio, onde os garçons já nos conheciam.

Após o almoço fazíamos a Via Sacra, percorríamos alguns cinemas, Metro, Marabá, Ipiranga, Paissandu, para ver e ler os cartazes dos filmes, lançamentos etc. Alguns ainda entravam no Cine Jussará, ou Teatro Santana, para curtir alguns momentos de prazer.

Legal também era atravessar as galerias (7 de abril/24 de maio/Barão Itapetininga, Rua Marconi, Galeria Metrópole), vendo as vitrines, perfumes, roupas etc. Íamos nas lojas de disco Museu do Disco e Casas Manon, eram corredores infinitos de lps (havia os importados), e era comum cruzar com algum artista, como Cesar Camargo Mariano, Elis Regina. Silvio Cesar.

Havia tempo ainda de ir ao Mappin, Mesbla, provar os perfumes de amostra, sentar nas escadarias do Teatro Municipal.

Tudo isso nós fazíamos em traje social (sem o paletó), e dava tempo ainda de tomar um cafezinho (curto/carioca/forte) na lanchonete da Galeria Califórnia, pegar o elevador e chegar no escritório para o expediente da tarde.

Não faz muito tempo, só 39 anos. Era raro ver assaltos no centro (havia, mas não com essa frequência de hoje).

Quando terminava o expediente (somente de sexta-feira), nós íamos comer bolinho de bacalhau no Gatão – Praça da República, e terminávamos a noite no Pingão, do Largo do Arouche.

Começaria tudo outra vez, se preciso fosse meu amor…

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